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Sócio da Vale em mina na África é suspeito de fraude e corrupção

Empresa brasileira tem joint venture com Beny Steinmetz, empresário que está sendo investigado na Guiné por favorecimento e suborno em concessões de minas de ferro

Por Da Redação 10 abr 2014, 19h39

Um relatório do governo de Guiné recomenda o cancelamento da concessão dada ao bilionário franco-israelense Beny Steinmetz para atividades de exploração numa mina de ferro em Simandu, uma das maiores reservas de minério do mundo. O empresário é acusado de corrupção.

Steinmetz fez fortuna com diamantes e obteve permissão para explorar a mina de Simandu em 2008 ao pagar 170 milhões de dólares. Dezoito meses depois, o franco-israelense revendeu 51% de seus direitos à Vale por 2,5 bilhões de dólares, ou seja, quase 15 vezes o valor inicial. Com o negócio, foi formada a joint venture VBG. O governo da Guiné abriu uma investigação, que se estendeu para Suíça e Estados Unidos, por suspeita de favorecimento ilícito ao empresário franco-israelense.

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No relatório obtido nesta quinta-feira pela agência France-Presse, o Comitê Técnico de Revisão de Títulos e Convenções de Mineração do país africano considera que os títulos e a concessão das minas de Simandu e de Zogota (sudeste) que estão nas mãos da VBG foram obtidos por meio de práticas de corrupção. Segundo o informe, para obter a concessão, Steinmetz subornou com 8 milhões de dólares a viúva do ex-presidente de Guiné, Lansana Conté, entre 2006 e 2010. Conté governou o país por 24 anos até sua morte em 2008.

No relatório, a Vale não é citada por qualquer participação em casos de corrupção.

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Assim, o Comitê propôs a suspensão das autorizações de exploração dos blocos 1 e 2 de Simandu e da concessão na zona minerária de Zogota, além da exclusão da VBG do processo de reatribuição das licenças.

Desde que chegou ao poder em 2010, o primeiro presidente democraticamente eleito da Guiné, Alpha Condé, lançou investigações como parte de um plano de combate à corrupção e de retomada do controle dos recursos naturais da Guiné.

Resposta – Procurada, a assessoria de imprensa da Vale disse que a empresa abordou o assunto no relatório anual de 2013, que confirma a possível recomendação do comitê técnico para que o governo da Guiné revogue o direito minerário detido pela VBG. “Não temos acesso ao relatório completo do comitê técnico, mas entendemos que sua determinação se baseia em práticas de corrupção com relação à concessão dos direitos de mineração da VBG, antes da aquisição pela Vale da participação na VBG”, disse a assessoria de imprensa ao site de VEJA. A empresa reforça, ainda, que não foi atribuída a ela nenhum delito até agora, mas que se o governo da Guiné revogar a concessão da VBG ela perderá todo o investimento feito em Simandou.

Investigação – Outra empresa brasileira que está sendo alvo de investigação é a Petrobras, que comprou por 1,18 bilhão de dólares uma refinaria em Pasadena, EUA, que valia 42,5 milhões de dólares.

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(com agência France-Presse)

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