Só 17% das PMEs brasileiras estão preparadas para atrair investidores, mostra estudo
Levantamento com quase 20 mil empresas aponta que a maioria ainda enfrenta desafios de governança, gestão financeira e sucessão
Ter um negócio lucrativo ou avaliado em milhões de reais não significa, necessariamente, estar pronto para receber investimentos. Um levantamento da Plataforma Valuation JK, que analisou quase 20 mil pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras, mostra que apenas 17% delas atingiram um nível de maturidade considerado atrativo para investidores. A maioria, 69%, ainda é classificada como um negócio em desenvolvimento, enquanto somente 0,5% alcançou o patamar de empresa premium.
O estudo revela que boa parte dessas companhias já ultrapassou a fase inicial de operação e está concentrada na faixa de avaliação entre 1 milhão de reais e 25 milhões de reais, especialmente entre 10 milhões de reais e 25 milhões de reais segmento que costuma despertar interesse de fundos regionais, investidores estratégicos e operações de fusões e aquisições (M&A).
Para João Kepler, CEO da Equity Group, o principal obstáculo não está na falta de potencial dos negócios, mas na ausência de estrutura para acessar capital. “O Brasil tem milhares de empresas boas, com faturamento, carteira de clientes e história, mas que ainda não sabem se apresentar para o investidor. O investidor não compra apenas potencial. Ele compra previsibilidade, governança, números organizados e capacidade de execução.”
Segundo o executivo, conhecer o valor da empresa deixou de ser apenas uma etapa de uma eventual venda e passou a ser uma ferramenta de gestão. O processo de valuation ajuda empresários a identificar fragilidades que muitas vezes não aparecem nos resultados financeiros, como dependência excessiva do fundador, baixa previsibilidade de caixa e ausência de processos estruturados.
O levantamento mostra que o interesse em captar recursos vem aumentando. Entre as empresas avaliadas, 1.145 declararam buscar investidores para financiar a expansão dos negócios. Outras 924 afirmaram precisar de crédito ou capital de giro.
Também chama atenção o movimento de consolidação entre pequenas e médias empresas. Enquanto 759 empresários disseram ter interesse em vender suas companhias, quase 500 afirmaram estar procurando oportunidades para adquirir outros negócios. Na avaliação de Kepler, esse cenário indica um mercado de fusões e aquisições ainda pouco explorado entre as PMEs brasileiras.
Apesar da busca por investimento, muitos empresários reconhecem que precisam fortalecer a estrutura de gestão antes de acessar capital. Entre os principais desafios apontados estão o aumento da margem de lucro e da eficiência do caixa, mencionados por 1.254 empresas, além da necessidade de melhorar os controles financeiros, citada por outras 881.
Economia tradicional lidera
O levantamento também mostra que a maior parte das empresas avaliadas pertence à chamada economia real. O varejo, franquias e negócios direct-to-consumer (D2C) lideram a amostra, representando 16,6% das avaliações. Em seguida aparecem serviços profissionais e contabilidade (15,5%), indústria e manufatura (15%), tecnologia e SaaS (10,1%) e saúde e healthtechs (9,7%).
Regionalmente, São Paulo concentra cerca de um terço das empresas analisadas, seguido por Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.







