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‘Situação da Grécia é desesperadora’, reconhece ministro

Governo perde apoio da população ao implementar medidas de austeridade exigidas por credores. E nem assim consegue garantir um novo empréstimo

O ministro da Economia grego, Michalis Chryssohoidis, classificou como desesperadora a situação econômica do país. A frase foi dita em entrevista à revista alemã Die Zeit que chega às bancas na quinta-feira. “Quando veremos a luz no fim do túnel? Não podemos responder”, sentenciou Chryssohoidis.

Sobre as medias de austeridade que o governo vem tomando para reduzir os gastos públicos do país e, assim, garantir mais uma parcela do plano de resgate a Atenas, Chryssohoidis afirmou: “Nossa situação é bastante desesperadora, porque reduzimos de forma sempre mais drástica a renda das pessoas. Os gregos vivem a situação atual de forma muito dolorosa”. O ministro completou: “O governo está totalmente isolado com esta política de reformas. A oposição afirma que poderia renegociar nossas condições de crédito. E a esquerda radical quer abandonar a União Europeia. Estamos sozinhos”, afirma.

“Nosso principal problema é o da insegurança, alimentada pelas especulações incessantes no mundo inteiro sobre uma falência iminente do país”, seguiu. “Uma falência em um país da zona euro seria uma catástrofe porque teria um efeito dominó. Mas se for apenas por esta razão, não podemos decidir sozinhos sobre uma suspensão de pagamentos”, completou.

Greve – A Grécia é palco, nesta quarta, de uma nova greve geral promovida em protesto contra as medidas de austeridade do governo. A paralisação será mantida pelas próximas 24 horas e afeta todos os serviços público: escolas, museus e bancos estão fechados, portanto. A greve afeta também os sistemas de transportes – inclusive com o cancelamento de voos – e o atendimento nos hospitais, além das atividades em empresas particulares.

Um protesto na capital Atenas está marcado para esta tarde. Os funcionários públicos se manifestam contra o projeto de colocar 30.000 servidores em “paralisação técnica”, uma medida que lhes reduziria 40% do salário até o fim do ano. Acredita-se que a medida culminaria com a demissão dos funcionários afetados após um período de 12 meses.

Governo – O objetivo da medida é reduzir drasticamente os gastos públicos do país – uma das exigências da UE e do FMI para liberar à Grécia um novo pacote de ajuda, no valor de 8 bilhões de euros. O governo grego já informou que não conseguirá cumprir as metas de redução de déficit estabelecidas para 2011 e 2012. Em consequência, os ministros da Economia da zona do euro decidiram adiar a decisão sobre a implementação de um segundo pacote de auxílio ao país.

As medidas de austeridade impostas como condição para os empréstimos têm sufocado o que resta da produtividade grega. O país é quase como uma China às avessas. Com base nos últimos dados do serviço de estatísticas do país, a economia encolheu 7,3% no segundo trimestre, após uma queda 8,1% nos primeiros três meses do ano. A expectativa é que o país registre uma recessão de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Com tantas dificuldades, o governo precisará pavimentar o caminho para receber outras parcelas dos empréstimos, o que implica aprovar novas leis controversas e por em prática medidas já aprovadas – uma mistura econômica e socialmente explosiva.

(com agência France-Presse)