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Trabalhadores da Gerdau, em São José dos Campos, entram em greve

Categoria se opõe ao fim do vale alimentação e pede aumento real de salário; segundo empresa, negociação tem de ser com entidade patronal

Por André Romani - Atualizado em 27 set 2019, 16h07 - Publicado em 27 set 2019, 15h42

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e Região aprovou greve imediata nesta sexta-feira, 27, na companhia de aço Gerdau. As demandas são por aumento real de salário (acima da inflação) e pela manutenção do vale alimentação, benefício que segundo a entidade representante dos trabalhadores, será retirado a partir de outubro. A empresa informa que está aberta ao diálogo e que a negociação da data base é feita diretamente pelo sindicato patronal da categoria.

Segundo o sindicato, as negociações com a empresa estão acontecendo desde abril, mas a Gerdau oferece reajuste salarial de 2%. Os trabalhadores alegam que o porcentual não cobre nem a inflação dos últimos 12 meses – a data base da categoria é setembro -, que segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), é de 3,28%. De acordo com o diretor do sindicato José Dantas Sobrinho, os trabalhadores querem, no mínimo, 2% de aumento real, ou seja, reajuste de 5,28% no total.

Além disso, o sindicato também pede a manutenção do vale alimentação, que é de 200 reais por mês, segundo Dantas. “Anunciaram no começo do mês que a partir de segunda-feira (quando cai o salário de outubro) já não vai ter mais o vale alimentação. Os trabalhadores já se acostumaram e se planejaram contando com o dinheiro”, diz ele”.

A fábrica contém 370 funcionários, sendo que a paralisação ocorre apenas no setor produtivo (cerca de 80% do pessoal), de acordo com o sindicato. Manutenção, terceirizados e parte administrativa continuam trabalhando normalmente.

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Em nota, a Gerdau confirmou que houve “manifestações sindicais” em sua unidade de São José dos Campos. A empresa informa ainda “que a negociação da data base é feita diretamente pelo sindicato patronal da categoria e que cumpre integralmente os acordos sindicais vigentes”. Além disso, cita que “continua aberta ao diálogo, respeita o direito a manifestação e que o atendimento aos clientes segue normalizado.”

Ainda em São José dos Campos, na terça-feira 25, o Sindicato dos Metalúrgicos aprovou greve em outra empresa: a Embraer. A demanda também envolvia o aumento real de salário, que, segundo eles, não ocorre há cinco anos. Na quarta, no entanto, após confusão entre trabalhadores e a Polícia Militar, a paralisação foi suspensa.

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