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Shein levanta US$ 1,7 bilhão em IPO com estreia volátil em Hong Kong

Empresa foi avaliada em 26 bilhões de dólares com a abertura de capital para fortalecer sua estrutura tecnológica

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 set 2026, 09h54 | Atualizado em 1 set 2026, 09h55
Shein levanta US$ 1,7 bilhão em IPO com estreia volátil em Hong Kong Priorizar nos meus resultados Google

A Shein teve uma estreia volátil na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira, 1º, com as ações chegando a cair 10% durante o pregão. Os papéis, porém, recuperaram as perdas ao longo do dia e encerraram a sessão praticamente estáveis, em 48,50 dólares de Hong Kong, ante 48,56 dólares de Hong Kong definidos na oferta pública inicial (IPO).

A varejista de moda levantou 13,6 bilhões de dólares de Hong Kong, o equivalente a cerca de 1,7 bilhão de dólares, com a abertura de capital. O IPO avaliou a companhia em pouco mais de 26 bilhões de dólares, muito abaixo dos quase 100 bilhões de dólares alcançados em uma rodada de financiamento em 2022.

A estreia ocorre após anos de tentativas frustradas de listagem nos Estados Unidos e no Reino Unido. Questões regulatórias e políticas levaram a companhia a escolher Hong Kong para realizar a oferta. O desempenho das ações no primeiro dia também expôs a cautela dos investidores com as perspectivas de crescimento da empresa.

Por que a Shein perdeu valor?

Desde o pico de avaliação, a Shein passou a enfrentar uma combinação de problemas que pressionaram seu modelo de negócios. Entre eles estão o aumento das tarifas comerciais, mudanças nas regras de importação e maior escrutínio regulatório em mercados importantes.

A concorrência também aumentou, especialmente com empresas como Temu, da PDD Holdings, e AliExpress, do Alibaba. Ao mesmo tempo, o crescimento da receita desacelerou e a companhia registrou prejuízo de 99 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, ante lucro de 395 milhões de dólares no mesmo período do ano anterior.

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Outro obstáculo para a empresa foi o fim da chamada isenção de de minimis nos Estados Unidos, que permitia a entrada no país sem cobrança de impostos de encomendas com valor inferior a 800 dólares. A União Europeia também encerrou sua própria isenção em julho e passou a cobrar 3 euros sobre itens de até 150 euros.

A Shein construiu seu crescimento global com um modelo baseado na venda de roupas de baixo custo diretamente aos consumidores. A companhia utiliza uma cadeia de produção orientada por dados para identificar tendências e fabricar rapidamente pequenos lotes de produtos.

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O modelo ajudou a empresa a crescer durante a pandemia e levou sua avaliação a quase 100 bilhões de dólares em 2022. Agora, porém, a companhia precisa lidar com um ambiente mais difícil para o comércio eletrônico internacional.

O que a Shein fará com o dinheiro do IPO?

Os recursos obtidos com a abertura de capital serão destinados ao fortalecimento da estrutura tecnológica da companhia, à expansão global da marca e a iniciativas de responsabilidade corporativa, além de despesas gerais da empresa.

A estreia também ocorre em um momento de maior interesse por empresas ligadas à inteligência artificial na Bolsa de Hong Kong. Esse movimento reduziu o apelo relativo da Shein entre investidores, que passaram a questionar o potencial de crescimento de uma varejista tradicional de comércio eletrônico em um mercado cada vez mais competitivo.

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Apesar da forte queda durante o pregão, a companhia terminou o primeiro dia praticamente no mesmo nível do preço definido no IPO. A avaliação de pouco mais de 26 bilhões de dólares, entretanto, representa apenas cerca de um quarto do valor que a Shein chegou a atingir quatro anos atrás.

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