ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Setor de tecnologia teme esvaziamento da ANPD na regulação das big techs

Nova iniciativa do Ministério da Justiça reforça temor de que diferentes braços do governo disputem espaço na definição das regras para plataformas digitais

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 set 2026, 11h30
Setor de tecnologia teme esvaziamento da ANPD na regulação das big techs Priorize VEJA no Google

Uma inquietação começa a ganhar força entre empresas de tecnologia e integrantes do ecossistema digital no Brasil: a de que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) esteja perdendo espaço justamente no momento em que recebeu mais poderes para regular e fiscalizar as big techs.

O incômodo aumentou com uma nova iniciativa do Ministério da Justiça. A pasta prepara uma portaria para obrigar plataformas digitais a comunicar à Polícia Federal, em até doze horas, casos considerados de risco crível, iminente ou em curso à vida ou à integridade de crianças e adolescentes. Para situações envolvendo indícios de violência sexual, o prazo previsto é de até 72 horas. A proposta foi encaminhada à própria ANPD e à Polícia Federal após consultas a empresas como Google, Meta e TikTok.

Para interlocutores do setor ouvidos pelo Radar Econômico, o episódio reforça a percepção de que diferentes braços do governo passaram a avançar simultaneamente sobre a regulação das plataformas. A preocupação é com uma fragmentação das decisões entre ANPD, Ministério da Justiça e Advocacia-Geral da União, com risco de sobreposição de regras e perda de previsibilidade para as empresas.

Continua após a publicidade

O temor ocorre apesar de o governo ter ampliado formalmente os poderes da ANPD. O Decreto 12.975, de maio, atribuiu à agência competências de regulação, fiscalização e apuração de infrações relacionadas aos direitos dos usuários e aos deveres das plataformas. A própria ANPD afirma que cabe a ela avaliar de forma sistêmica a atuação das empresas de tecnologia e fiscalizar obrigações de prevenção e mitigação de riscos.

Continua após a publicidade

O caso do Discord já havia acendido o alerta. Em agosto, foi a ANPD quem determinou preventivamente a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil após identificar falhas na proteção de crianças e adolescentes. Dias depois, porém, a AGU entrou na Justiça contra a companhia, com suporte técnico do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, e pediu uma indenização de 500 milhões de reais por danos morais coletivos.

Continua após a publicidade

Um interlocutor do setor afirma que a ANPD construiu ao longo dos últimos anos uma relação de diálogo com as empresas, com uma abordagem considerada mais técnica e equilibrada. A avaliação entre representantes da indústria é que a entrada crescente de outros órgãos nessas discussões aumenta a pressão política sobre a agência e pode reduzir sua capacidade de exercer plenamente o papel que lhe foi atribuído.

Continua após a publicidade

Para essas fontes, a discussão não é sobre diminuir a fiscalização das plataformas, mas definir com clareza quem comanda essa fiscalização. O receio é que o fortalecimento formal da ANPD acabe convivendo, na prática, com uma pulverização cada vez maior do poder regulatório dentro do próprio governo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetidoBanner de Black Friday com fundo roxo e preto, exibindo a palavra BLACKFRIDAY repetida. À direita, um laptop prateado com uma imagem de carro na tela, um smartphone com um site de notícias e uma revista Veja aberta com uma foto de comida.
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).