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Setor de restaurantes prevê corte de pessoal e defende reforma

Mesmo prevendo demissões, setor espera fechar o ano com maior rentabilidade financeira

O setor de alimentação fora do lar prevê terminar o ano com uma redução de 0,55% no total de funcionários. O ramo emprega hoje cerca de 6 milhões de trabalhadores. Entre os motivos que devem ocasionar a redução da mão-de-bra está a necessidade de cortar custos, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e da Fispal Food Service.

“O quadro de pessoal encarece o preço final. É preciso capacitar mais os trabalhadores”, disse o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

Entre as empresas que participaram do levantamento, 40% afirmaram que houve redução de funcionários entre o primeiro trimestre de 2017 e o último trimestre de 2016. Outras 48% declararam estabilidade no quadro de pessoal.

Para a Abrasel, a aprovação da reforma trabalhista é uma necessidade. “Enquanto não aprovar, vamos continuar tendo preços caros e salários baixos e passar a vida inteira reclamando que produzimos menos e os serviços são burocráticos”, afirmou o presidente executivo da associação. “Será possível contratar mão-de-obra só quando precisar”.

Desempenho

O setor registrou o terceiro trimestre consecutivo com resultados positivos. “Há sinais de que o pior da crise passou”, afirmou Solmucci.

Outros fatores aumentam a perspectiva positiva para o setor. O número de empresas que declararam rentabilidade superior a 10% evoluiu desde as últimas edições do levantamento. No terceiro trimestre de 2016, o índice de companhias com boa saúde financeira beirava os 14%, agora esse número subiu para 18%.

“Isso demonstra uma melhoria constante das empresas. É muito bom o crescimento no número de empresas que conseguiram voltar à normalidade”, afirmou o presidente. Até o fim de 2017, a associação prevê que esse número esteja entre 20 e 25%.

Uma em cada quatro empresas declararam uma melhora na rentabilidade, quando comparado o primeiro trimestre de 2017 com os últimos três meses de 2016. Ainda assim, 31% das empresas afirmam operar com prejuízo neste trimestre. Entretanto, esse pode ser considerado um resultado positivo. Há três edições a pesquisa vem identificando redução no número de empresas no vermelho. No terceiro trimestre de 2016, 39% das empresas operavam com prejuízo, no quarto trimestre de 2016 o número passou para 31%. No final de 2017, 25% das companhias devem estar operando com prejuízos, segundo a pesquisa.

“O percentual de 39% é um absurdo em referência histórica. O resultado do primeiro trimestre de 2017 ainda é duro mas positivo”, disse Solmucci. Em épocas de normalidade econômica, de acordo com a associação, apenas 5% das empresas atuam no vermelho.

A redução no índice de queda do faturamento também contribuiu para o otimismo do setor. No quarto trimestre de 2016 houve uma queda de 3,93% nos ganhos das empresas. Nos primeiros três meses de 2017 esse percentual passou para 1,84%.

Na comparação do primeiro semestre de 2017 com o mesmo período do ano passado, 34% das empresas registraram melhora na receita. O número de empresas com queda no faturamento diminuiu, no final do ano passado 46% das empresas declararam faturamento menor do que em 2015. Neste ano, as empresas com faturamento menor, em comparação com o último trimestre de 2016, caiu para 37%.

Mesmo assim, os empresários não estão otimistas em relação ao crescimento real do faturamento para 2017, a previsão é de 2,47%. A associação prevê um crescimento de apenas 2%. Os empreendedores da região Sul são os mais positivos, eles esperam um crescimento de 4,15%, seguido pelos empresários do Nordeste, com expectativa de 3,95%. No Sudeste, a previsão é de -0,73%.

Para o contínuo crescimento do setor, a entidade defende mais investimentos em outras áreas. “Melhorar a segurança pública é importante por que as famílias têm medo de sair às ruas”, afirmou o presidente da Abrasel em São Paulo, Percival Maricato. Os preços altos também seriam outro fator que afasta os consumidores. “Temos que tentar conter os custos para não repassar ao consumidor”.