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Setor de aves pode levar dois anos para se recuperar de greve, diz Maggi

A indústria de carnes já estima uma perda de R$ 1,3 bilhão em decorrência da paralisação dos caminhoneiros

Por Reuters Atualizado em 30 Maio 2018, 18h46 - Publicado em 30 Maio 2018, 17h15

O setor avícola do Brasil precisará sacrificar 24 milhões de aves por dia a partir desta quinta-feira se os fornecedores não conseguirem levar ração às granjas em razão dos protestos de caminhoneiros, e o governo terá de socorrer os produtores mais afetados, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, nesta quarta.

A indústria avícola do Brasil, o maior exportador de carne de frango do mundo, pode entrar em colapso se o 1,2 milhão de aves matrizes, que são peça-chave para a criação, forem abatidas, disse Maggi. Poderá levar dois anos e meio para o setor se recuperar se isso acontecer, ele acrescentou.

“Se nós perdermos essas aves, nós perdemos toda a capacidade de recuperação”, disse Maggi. “Estou muito preocupado.”

Os protestos de caminhoneiros contra a alta do diesel estrangularam o país, que é a maior economia da América Latina, por mais de uma semana, levando a desabastecimento de combustível e alimentos e pressionando todo tipo de exportação, de soja a carne e carros.

A indústria de carnes já estima uma perda de 1,3 bilhão de reais em decorrência da greve, disse Maggi.

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Ele avalia que cerca de 64 milhões de aves já foram mortas, um volume um pouco abaixo do considerado pela indústria, de mais de 70 milhões. O Brasil tinha por volta de 1 bilhão de aves antes da greve.

Alguns produtores perderam seu capital de trabalho e precisarão de assistência financeira, acrescentou o ministro. Conforme Maggi, o governo ajudará essa cadeia produtiva adiando gastos em outros setores.

ATRASO NA SOJA

Exportadores de soja têm navios ancorados por não ter o produto nos principais portos para carregá-lo, disse Maggi. Ele não conseguiu quantificar o custo do atraso dos envios para a indústria, mas disse que seria “muito grande.”

O Brasil é o maior exportador de soja do mundo, sendo a China sua maior compradora.

O país se beneficiou da disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, já que os compradores chineses adquiriram mais cargas do Brasil.

Porém Maggi disse que, no longo prazo, a disputa poderia prejudicar o Brasil. Os exportadores americanos de soja procurariam vender mais em outros mercados, possivelmente roubando negócios do Brasil, comentou. Assim, se os EUA e a China acabassem resolvendo suas diferenças, o Brasil poderia acabar perdendo, disse ele.

Não houve uma solução rápida para a restrição da União Europeia ao frango brasileiro, porque o padrão imposto pela UE sobre a ocorrência de salmonela nos envios brasileiros era muito difícil de ser alcançado, disse Maggi.

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