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Sete Brasil quer recuperar US$ 224 mi desviados de propina

Empresa também pede na Justiça que executivos devolvam mais de R$ 30 milhões que receberam em bônus por atividades na companhia

A Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a contratação de plataformas para exploração do pré-sal pela Petrobras, está pedindo na Justiça que ex-executivos da empresa devolvam as propinas que teriam recebido dos estaleiros contratados para a construção de 28 sondas. A acusação foi feita por Pedro Barusco, em acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

O próprio Barusco, que foi diretor da Sete Brasil, Eduardo Musa, também ex-diretor, e João Carlos Ferraz, ex-presidente da empresa, teriam participado do esquema que envolveu um total de 224 milhões de dólares. A empresa pede ainda que os três devolvam mais de 30 milhões de reais que receberam em bônus pelas suas atividades na companhia.

Os processos judiciais contra os três ex-executivos correm na Justiça do Rio e a empresa diz que não vai comentar o assunto porque está em “segredo de Justiça”. O pedido de segredo foi feito em função dos contratos de bônus assinados com os ex-executivos e que previam cláusulas confidenciais.

A empresa tem entre seus principais acionistas os bancos BTG Pactual, Santander e Bradesco, os fundos de pensão da Caixa e da Petrobrás e a própria Petrobras. São ainda acionistas os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Vale, o FI-FGTS e alguns investidores independentes como Lakeshore, LuceVenture e EIG.

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Novo sócio – Impedida de receber dinheiro do BNDES, devido à delação de Barusco, a Sete deixou de honrar cerca de 15 bilhões de reais em dívidas com seis bancos e cinco estaleiros. Agora, tenta encontrar um novo sócio, que aporte dinheiro na companhia, para que o projeto possa seguir adiante. A empresa, no entanto, já decidiu reduzir de 28 para 19 o número de sondas a ser produzido.

Os bancos aceitaram rolar a dívida até o início do próximo ano, e os estaleiros estão em negociação. Os dois tipos de credores estão em situação difícil para exigir pagamentos. Os bancos não têm garantias suficientes dos empréstimos para poder executar a dívida e os estaleiros estão sendo acusados de pagamento de propinas.

(Com Estadão Conteúdo)