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Sete bancos estão no foco da ajuda à Espanha

Todos são antigos bancos de poupança e já chegaram a receber alguma ajuda do governo para enfrentar perdas e passar por fusões. Líderes europeus elogiam resgate, mas parlamentares espanhois criticam e pedem esclarecimentos

Por Da Redação - 10 jun 2012, 19h26

Sete bancos espanhois serão os primeiros a receber dinheiro do resgate da União Europeia, prometido à Espanha neste sábado, em uma fila que pode aumentar com a inclusão de todas as instituições menores problemáticas. São eles: Catalunya Caixa, Unnim (agora parte do BBVA), Espana-Duero (que se juntou à Unicaja), NovaCaixaGalicia, Bankia (nacionalizado em maio pelo governo espanhol), Banco Mare Nostrum e Banca Civica (que pertence ao CaixaBank).

Todos são antigos bancos de poupança e já chegaram a receber alguma ajuda do governo para enfrentar perdas e passar por fusões. O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse num relatório na última sexta-feira que os bancos de poupança são os que estão em pior situação, respondendo por cerca de 22% do sistema financeiro do país. Eles têm pela frente o maior desafio devido à sua elevada exposição ao mercado imobiliário. A Espanha tem agora cerca de dez bancos de poupança, menos que um quarto do total existente dois anos atrás, depois que o governo forçou um programa de consolidações.

Entre as instituições em situação financeira mais difícil está o Bankia, que recebeu injeção de 23,5 bilhões de euros no mês passado, e dois antigos bancos de poupança que estão lutando contra a falta de capital: o NovaCaixaGalicia e a CatalunyaCaixa. Seu principal erro foi ter concedido grandes volumes de empréstimos a empresas do setor imobiliário durante o boom de prosperidade que acabou com a crise de 2008. Com isso, as instituição ficaram com inúmeros empréstimos podres junto a companhias do setor.

Positivo – Neste domingo, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que o resgate da União Europeia (UE) foi bom para o país e também para a credibilidade do euro. Ele comentou ainda que sem as medidas de austeridade fiscal que foram implementadas nos últimos meses, o país poderia ter tido o mesmo destino que a Grécia ou Portugal e sofrido intervenção. Frisou ainda que não foi pressionado a pedir ajuda. Ao contrário: “Fui eu que pressionei”.

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A Alemanha, França, Grã-Bretanha e Suécia também reagiram positivamente ao anúncio do resgate. O ministro da Economia alemão, Philipp Roesler, afirmou neste domingo que a decisão tomada pela Espanha está correta e era necessária, além de dar mais confiança aos mercados. Para o primeiro-ministro francês, o socialista Jean-Marc Ayrault, a ajuda foi “uma boa decisão”, mas advertiu que será preciso outras “para reativar o crescimento”.

O principal benefício, segundo o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, é a transparência e segurança que a notícia traz aos mercados. “Trata-se de um sinal da determinação da zona do euro em tomar medidas decisivas para conter as turbulências”, afirmou em uma declaração televisada de Bruxelas.

O ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, felicitou o acordo alcançado com a Espanha para recapitalizar seus bancos, mas ressalvou que seria melhor se o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) fosse o responsável pela ajuda. “O Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) está disposto a proporcionar o dinheiro correspondente a uma solicitação da Espanha, mas seria melhor se o MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade), que é ainda mais eficaz, pudesse ser utilizado”, afirmou. Por isso, o ministro pediu uma “rápida” ratificação do MEE, que entrará em vigor apenas em julho, assim como a confirmação do pacto fiscal, que pretende que os governos respeitem os limites de endividamento previstos, até 6 de julho.

Tensão – Mesmo com a resposta rápida do bloco europeu, as tensões no mercado não se dissiparam. “É, em conjunto, uma boa resposta. Deve haver um efeito tranquilizador (para os mercados), mas ainda temos uma incerteza ligada às eleições na Grécia”, disse Anders Borg, ministro sueco de Finanças, cujo país forma parte da União Europeia, mas não está na Eurozona.

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Os gregos vão às urnas no próximo domingo, dia 17. A última eleição legislativa, em 6 de maio, terminou em impasse, e o país não chegou a um acordo sobre seu programa econômico. O risco de que a Grécia deixe a zona do euro ainda permanece e assusta os mercados ao redor do mundo, em particular a periferia do euro.

Convocação – Enquanto membros da zona do euro aplaudem a ajuda da União Europeia à Espanha, anunciada no sábado, parlamentares espanhois da oposição já se movimentam para convocar o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, a prestar esclarecimentos. No sábado, o ministro da Economia Espanhol, Luis de Guindos, anunciou que a Espanha receberá uma ajuda de até 100 bilhões de euros da União Europeia, com o objetivo de sanar os problemas de seu sistema financeiro.

Segundo o jornal espanhol El Pais, os partidos de esquerda devem entrar nesta segunda-feira com pedido de convocação do primeiro-ministro no Congresso para esclarecer o porquê do pedido de resgate e dizer quem vai, de fato, pagar a conta deste empréstimo. “O governo pretende nos fazer crer que ganhou na loteria, mas não foi assim”, critica o líder do Partido Socialista Obrero Español (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba. Ele exige que seja aberta uma comissão de investigação no Congresso para identificar os bancos e casas de câmbio responsáveis pela crise, assim como supervisionar a administração do resgate, assim como outros países que emprestaram dinheiro para os bancos fizeram (Reino Unido e Holanda).

A quantia emprestadado pelo eurogrupo será gerenciada pelo Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (Frob), órgão do governo espanhol criado pela recapitalizar o sistema bancário local após o estouro da bolha imobiliária em 2008 e 2009 – que repassará recursos aos bancos que necessitem de ajuda.

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Portugal – Em Portugal, a oposição pediu as mesmas condições de financiamento dadas à Espanha para pagar seus financiamentos. Antonio José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista (PS) luso, o principal da oposição, disse que o país deveria aproveitar o momento para exigir o mesmo tratamento dado à Espanha. Porém, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse que ainda não há razões para pedir a renegociação das condições da dívida portuguesa.

(com Agência Estado, AFP, EFE)

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