Serviços surpreendem em abril, mas juros ainda freiam uma recuperação mais robusta da economia
Analistas veem o resultado como sinal de resiliência, mas alertam que juros e consumo ainda exigem cautela
O setor de serviços voltou a dar sinais de força na economia brasileira. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (11), o volume de serviços cresceu 1,2% em abril na comparação com março, recuperando integralmente a queda registrada no mês anterior e registrando o melhor desempenho mensal de 2026 até agora.
O resultado veio acima das expectativas do mercado e ajudou a reduzir as preocupações sobre uma desaceleração mais intensa da atividade econômica. Após um início de ano marcado por oscilações, o desempenho de abril reforça a percepção de que o setor, responsável por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, continua sendo uma das principais âncoras do crescimento brasileiro.
Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, o dado mostra que a atividade permanece em patamares elevados, apesar de um ambiente ainda desafiador. “O volume avançou 1,2% na comparação mensal com março, recuperando integralmente a queda forte registrada no mês anterior. Foi o melhor resultado mensal do ano até aqui e veio acima do que o mercado projetava, trazendo alívio após um início de 2026 mais irregular”, afirma.
Segundo ele, a recuperação foi disseminada entre diferentes segmentos, embora algumas atividades sigam liderando o crescimento estrutural da economia. “Esse rebound reforça a resiliência do setor, que continua operando em patamares elevados, bem acima do pré-pandemia. A recuperação foi mais disseminada, com várias atividades contribuindo positivamente, embora os segmentos ligados a tecnologia, informação e comunicação sigam como os grandes motores de crescimento mais estrutural”, explica.
A avaliação é compartilhada por André Matos, CEO da MA7 Capital. Para ele, o resultado representa um alívio importante após a retração observada em março e evidencia a capacidade de recuperação do setor. “A Pesquisa Mensal de Serviços divulgada hoje pelo IBGE trouxe um alívio importante, mostrando que o setor recuperou integralmente em abril a queda registrada em março, com todas as atividades voltando ao campo positivo e destaque para o transporte aéreo de passageiros, que reagiu à queda dos preços das passagens”, afirma.
O executivo destaca ainda que o crescimento vem sendo sustentado, principalmente, pela economia digital. “O dado confirma que o setor de serviços segue resiliente e operando muito próximo do topo histórico, com protagonismo do segmento de informação e comunicação, impulsionado por desenvolvimento de softwares, consultoria em tecnologia da informação e serviços de dados. Isso reforça que a economia digital e a infraestrutura ligada à inteligência artificial estão sustentando o crescimento do terciário muito mais do que os segmentos tradicionais”, avalia.
Além do impacto sobre a atividade econômica, o desempenho do setor também deve entrar no radar do Banco Central. Serviços aquecidos costumam pressionar a chamada inflação de serviços, considerada uma das mais persistentes pelos formuladores de política monetária. Depois do susto de março, o setor de serviços mostra que continua sendo o principal motor da economia brasileira. A dúvida, agora, é se essa retomada representa o início de uma trajetória mais consistente ou apenas mais um capítulo de um ano marcado pela volatilidade.







