Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Sensor em pneu avisa quando é preciso trocá-lo

Empresas investem em tecnologia para deixar o produto mais conectado e seguro, além de reduzir o consumo de combustível

A tecnologia vai tornar os pneus mais seguros e contribuirá para reduzir o consumo de combustível. As principais empresas do setor estão investindo para tornar os produtos mais eficientes. Entre as inovações está a colocação de um chip dentro do pneu, que compartilha em tempo real informações como pressão, temperatura, desgaste do produto e quando deve ocorrer a próxima troca.

“O pneu do futuro tem que ser conectado não só com o asfalto mas também com o veículo, usuário e o ambiente para ter uma performance ainda melhor”, concorda o diretor do segmento pneus de passeio da Goodyear América Latina, Vinicius Rezende Sá.

Igor Zucato, professor do curso de engenharia mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, diz que hoje o pneu é o único componente que não se comunica com o carro. “Mas isso tende a mudar com os projetos em andamento pelas fabricantes. Acredito que em dois anos haverá uma revolução neste mercado.”

De acordo com ele, caminhões e máquinas agrícolas já têm produtos capazes de se comunicar com o veículo e alterar a pressão para trafegar em rodovias ou em estradas de terra. “Isso leva à redução do consumo de combustível, e a tendência é que sejam usados também em carros de passeio”, explica o professor.

A Pirelli, por exemplo, lançou no ano passado sensores que são aplicados nos pneus e trazem um diagnóstico detalhado do produto. “Os dados são acompanhados pela Pirelli e pelo vendedor mais próximo. Caso haja algum problema (como um pneu furado, por exemplo) esse parceiro entra em contato com o usuário para auxiliá-lo”, afirma o diretor de transformação digital da Pirelli América Latina, Marco Maria Tronchetti.

O produto está disponível desde 2017 nos Estados Unidos e a partir deste ano também para a Europa. A fabricante estuda a possibilidade de lançar o produto no Brasil e América Latina no começo do próximo ano.

Na Goodyear, produto semelhante é testado em frotas, antes de chegar ao consumidor final. “Já existe o chip para gestão de frotas de caminhão, por exemplo, que permite saber pelo celular, em qualquer lugar, qual a situação do pneu”, destaca Rezende Sá.

Além disso, a Goodyear lançou neste ano um modelo feito a partir do óleo de soja, que visa melhorar o desempenho dos pneus em pavimentos secos, molhados e em condições de inverno. De acordo com a fabricante, testes mostram que a borracha feita com óleo de soja se mistura mais facilmente aos compostos reforçados com sílica, usados na composição de alguns pneus, o que melhora a eficiência na fabricação e reduz o consumo de energia. A preocupação com o meio ambiente passou a ser um dos requisitos dos projetos da empresa.

O pneu Oxygene, protótipo apresentado este ano no Salão do Automóvel de Genebra, tem uma estrutura que conta com musgos vivos que crescem dentro da parede lateral do pneu. Esta estrutura aberta aliada a um desenho inteligente da banda de rolamento absorve e faz circular a umidade da água na superfície da estrada, permitindo que ocorra a fotossíntese e, assim, gerando a libertação de oxigênio para o ar. Além disso, o modelo apresenta uma construção não pneumática impressa em 3D com pó de borracha proveniente de pneus reciclados.

Tronchetti, da Pirelli, comenta que outro projeto em andamento é o que permite que os pneus possam detectar as condições da estrada. “O pneu poderá entender a situação da pista, se está molhada, por exemplo, e detectar momento de aquaplanagem. Isso trará muito mais segurança à direção”, finaliza o executivo.