Semana acaba com boas notícias na economia, mas elas mudam pouco o quadro geral
A inflação deu um alívio em junho e a economia está crescendo mais, mas juros continuam altos e com pouco espaço para cair
O resultado da inflação de junho, divulgado na manhã desta sexta-feira, 10, pelo IBGE, surpreendeu a boa parte dos economistas e analistas por ter vindo bem mais leve do que se esperava. O IPCA variou apenas 0,16% no mês, a metade do que os analistas estavam esperando. E, ainda mais importante, no acumulado em 12 meses ele desacelerou de 4,7%, em maio, para 4,6% em junho, enquanto a expectativa geral era de aumento. É a tendência desse resultado anual a principal balizadora das decisões de juros do Banco Central.
A expectativa de que a inflação mais branda ajude a uma Selic menor é, inclusive, um dos principais motores para a disparada que a bolsa de valores brasileira vive nesta tarde. Por volta das 16h, o Ibovespa subia 2,8%.
Como, porém, os dados mensais de inflação são muito voláteis, os economistas mais desconfiados e os analistas que não lidam diretamente com as especulações diárias de mercado são mais reticentes. “De fato não houve ‘porém’ no resultado do IPCA de junho, tudo melhorou”, diz Luiz Otavio Leal, sócio e economista-chefe da gestora de fortunas G5 Partners. Ele menciona o fato de a perda de força no mês ter sido espalhada por vários tipos de itens e serviços e de seis dos nove grandes grupos monitorados pelo IBGE terem ficado com a inflação menor no mês.
“Mas uma andorinha só não faz verão”, adiciona Leal. “É um número muito bom, mas depois de uma sequência de cinco meses de números piores. Ele também foi muito ajudado pela alimentação, que teve queda, mas já em setembro deve voltar a piorar, com os efeitos esperados do El Niño.”
O grupo de alimentação, o com maior peso no IPCA, recuou 0,2% em junho. A expectativa de um clima adverso a partir da segunda metade do ano, se junta, de acordo com o economista, aos excessos de estímulo que vêm sendo jogados sobre a demanda pelo governo federal ao longo do ano e que também trabalham para dificultar o retorno da inflação à meta, que é de 3% ao ano. “Os problemas da inflação vão continuar e o BC segue sem muito espaço adicional para cortar os juros“, afirma.
Crescimento maior
A boa notícia da inflação mais benigna por esse mês se junta, na outra ponta, a uma atividade econômica que também tem surpreendido para cima. Na quarta-feira, 8, ao fazer suas atualizações para a economia global, o Fundo Monetário Internacional fez um considerável aumento em sua projeção de crescimento para o Brasil em 2026, de 1,9% para 2,4%, já que o país acabou se beneficiando com um aumento expressivo nas exportações por conta das altas no preço do petróleo.
No caso da América Latina e Caribe, por exemplo, o número ficou praticamente estável, revisado de 2,3% para 2,4%, enquanto para as economias emergente ele foi cortado de 3,9% para 3,8%.
Leal reforça, contudo, que um crescimento maior da economia não deixa de ser, também, um problema para os juros altos. “Não tem almoço grátis”, diz ele. “Para a inflação isso é ruim, até porque é um crescimento muito baseado em consumo e em estímulos.”







