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Sem Sokol, Buffett enfrenta problemas de sucessão

Demissão de executivo coloca dúvidas sobre quem poderá assumir o império do bilionário

Por Da Redação - 1 abr 2011, 16h22

O bilionário Warren Buffett começou o ano de 2011 achando que estava fazendo um bom negócio – a compra da empresa química Lubrizol. No entanto, ao final do primeiro trimestre, o saldo da transação está longe de ser positivo. Buffet comprou uma empresa, perdeu seu principal executivo e agora é questionado pelo mercado sobre quem o sucederá.

David Sokol, o braço-direito demissionário de Warren Buffett, era o principal candidato para assumir a presidência do Berkshire Hathaway quando o bilionário octogenário resolvesse se aposentar. Após a ‘travessura’ envolvendo informação privilegiada na compra da Lubrizol, Sokol deixa a empresa e o bilionário em saia justa, pois reduz ainda mais a lista de possíveis nomes, o que desperta dúvidas nos investidores e na Security and Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais americano.

A preocupação do mercado com a sucessão de Warren Buffett, no entanto, remonta há mais tempo. Defensor do clichê de executivo carismático, com um leve apelo de ‘guru’ de investimentos, Buffett sempre deixou claro que tudo está “sob controle” e que ele sempre sabe o que está fazendo. Em 2003, no entanto, a SEC exigiu que o bilionário apresentasse uma lista com alguns nomes de sucessores, procedimento comum em uma companhia de capital aberto. Na imprensa internacional, muitas foram as especulações sobre quem estaria na lista. Sokol era uma das principais apostas.

Outro nome proeminente é o do indiano Ajit Jain, que comanda as operações de resseguros do Berkshire Hathaway. O executivo, que já passou pela consultoria Mckinsey, ingressou no grupo de Buffett em 1986. Segundo a reportagem do jornal britânico Financial Times, a possível indicação de Jain ganhou força nos corredores do Berkshire com a saída de Sokol.

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Ainda há especulações sobre outros dois nomes: o de Todd Combs, um gestor de hedge funds (carteiras alternativas que privilegiam ativos de risco) que foi contratado por Buffett em 2010 para gerir um fundo de 3 bilhões de dólares. E o recém-chegado Matthew Rose, que foi para o Berkshire Hathaway no mesmo ano, quando o bilionário comprou a empresa ferroviária que ele presidia, a Burlington Northern Santa Fe, por 26 bilhões de dólares.

Questão de família – Um fator extra que tem preocupado investidores da empresa de Buffett é o já anunciado interesse do bilionário em nomear algum de seus herdeiros para o conselho de administração da empresa. O problema é que nenhum deles seguiu o caminho do mercado financeiro. Segundo o Financial Times, a falta de transparência não só na sucessão, como também na escolha não-justificada de familiares para o conselho, são um prenúncio de que Buffett terá um ano de embates com acionistas. A próxima reunião anual de investidores em Omaha, que ocorrerá em 30 de abril e costuma ser liderada com irreverência e bom humor pelo bilionário, poderá terminar com gosto amargo.

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