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Sem medidas de estímulo nos EUA e China, dólar sobe

Por Silvana Rocha

São Paulo – O dólar sobe discretamente no mercado internacional de moedas e influencia os negócios no Brasil. A divisa americana no mercado futuro sustenta-se com leves ganhos desde a abertura. Nos negócios à vista, a moeda no balcão abriu em queda de 0,20%, a R$ 2,0230 e, em seguida, testou uma mínima em R$ 2,020 (-0,35%), que rapidamente se dissipou. Às 10h12, o dólar no balcão retomava a estabilidade, cotado a R$ 2,0270.

Na BM&FBovespa, ainda não houve negócios com o dólar spot. Mas no mercado futuro, às 10h13, o contrato de dólar que vence em 1º de agosto subia 0,25%, a R$ 2,0305. Até esse horário, este vencimento testou máxima de R$ 2,0320 (+0,32%) e mínima, de R$ 2,0250 (-0,03%).

Diante da ausência de medidas de estímulo nos EUA e na China, os investidores retomam a cautela, sem motivação para assumir grandes posições. Como o dólar volta a romper para baixo o suporte informal de R$ 2,030 na abertura, os participantes recompõem posições, cientes de que a aproximação do preço de R$ 2,00 tende a atrair o Banco Central para o mercado.

Eles também esperam os dados sobre fluxo cambial até 13 de julho para avaliar se houve melhora do fluxo comercial. Os dados serão divulgados pelo Banco Central às 12h30. No mês até o dia 6, houve ingresso líquido de US$ 396 milhões no País, liderado pelo fluxo financeiro, que registrou saldo líquido de US$ 386 milhões. Já o fluxo comercial também foi positivo, mas em apenas US$ 10 milhões. No acumulado do ano até 6 de julho, o fluxo cambial acumula entrada líquida de US$ 23,340 bilhões, sendo US$ 20,144 bilhões no segmento comercial e US$ 3,196 bilhões pela via financeira.

Os agentes financeiros globais encontram estímulo para recompor ligeiramente compras de dólar na percepção de que o Federal Reserve fará uma nova injeção de liquidez nos Estados Unidos, se necessário, mas não de imediato.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, deve reiterar essa disposição em seu discurso hoje, às 11h, na Câmara americana. Às 15h, o Fed divulga o “livro bege”, sumário sobre as condições da economia que servirá de base para as decisões de política monetária a serem tomadas na próxima reunião do Comitê de mercado Aberto (Fomc), nos dias 31 de julho e 1º de agosto.

Em seu depoimento semestral ao Senado americano, ontem, Bernanke reconheceu que a economia dos EUA se desacelerou de certo modo no primeiro semestre deste ano e que o crescimento no segundo trimestre provavelmente ficará abaixo de 2%. Ele também reiterou que a crise de dívida da zona do euro continua sendo um grande risco para a economia global.

Segundo analistas, o Fed tende a esperar os próximos indicadores de atividade, sobretudo o relatório de emprego em 3 de agosto, para tomar uma decisão sobre novo afrouxamento quantitativo. Até porque a eleição presidencial americana se aproxima e o anúncio de medidas provavelmente até setembro, mais perto do pleito eleitoral em novembro, tenderia a favorecer a reeleição do presidente Barack Obama.

No curto prazo, o mais provável é que a China lance novas medidas para apoiar o crescimento econômico. O gabinete da China deve realizar nesta quarta-feira sua conferência econômica de meio ano, com foco na discussão sobre como estabilizar o crescimento econômico. Não se descarta que desse encontro saia alguma medida voltada a estimular sua economia.

Na Europa, o euro recua ante o dólar em meio à espera pela teleconferência que o Eurogrupo realiza nesta sexta-feira sobre o pacote de ajuda ao setor bancário espanhol. A busca por ativos seguros garantiu hoje à Alemanha a venda de títulos de dois anos com retorno negativo pela primeira vez. Anteriormente, apenas títulos do país de curto prazo haviam sido negociados a taxas negativas.

Às 10h17, o euro caía a US$ 1,2225, de US$ 1,2293 no fim da tarde de ontem. O dólar também subia (0,10%) ante o dólar australiano; ganhava 0,19% em relação ao dólar canadense; avançava 0,462% diante da rupia indiana; e subia 0,48% em relação ao dólar neozelandês.

No Brasil, o Congresso aprovou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano, que garantiu um reajuste de 7,35% para o salário mínimo, que passará a valer R$ 667,75, e manteve a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 5,5%, com o superávit primário de 3,1%, ou R$ 155,9 bilhões economizados para pagamento de juros da dívida.

O governo também conseguiu a aprovação pela Câmara de duas medidas provisórias do Plano Brasil Maior, com grande ampliação de benefícios fiscais à indústria. A dúvida é se o Executivo irá sancionar integralmente essas MPs, que atendem interesses de agricultores, construtoras, empresas e telecomunicações, transportes e estados do Norte e Nordeste. As MPS agora serão votadas pelo Senado em agosto.