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Selic: Mercado espera maior aperto monetário do BC com drible no teto

Com a piora no cenário fiscal, o mercado projeta aumento de 1,25 a 1,50 pontos percentuais na taxa básica de juros

Por Luana Meneghetti Atualizado em 25 out 2021, 12h50 - Publicado em 25 out 2021, 12h14

O rompimento do teto dos gastos para bancar o Auxílio Brasil – novo Bolsa Família – fez as perspectivas de recuperação da economia se deteriorarem ao longo da semana passada. O desrespeito à âncora fiscal fez o dólar avançar para 5,61 reais, piorando o cenário para a inflação que acumula alta de acumula alta de 10,25% em doze meses até setembro. A situação fiscal traz agora desafios para a taxa básica de juros (Selic), principal ferramenta do Banco Central para conter a alta dos preços.

A meta do BC era elevar a Selic em um ponto percentual até o final do ano, mas com a deterioração do cenário econômico a taxa começa a ser revisada pra cima – como já vinha sendo desde o início do ano – mas agora com aumentos mais expressivos e maior velocidade. A Selic que está hoje em 6,25% pode encerrar o ano em 8,75%, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 25. Anteriormente, a projeção dos analistas para a Selic era de 8,25%. Para 2022, a taxa também foi revisada para 9,50%, acima dos 8,75% projetados na semana passada pelo Focus.  As projeção para a Selic continua em alta em 2023, de 7%, com estabilidade voltando em 2024.

Nesta quarta-feira, 27, acontece a penúltima reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), para decidir sobre a Selic. Com a piora no cenário fiscal, o mercado espera que o BC realize maior aperto monetário com aumento de 1,25 a 1,50 pontos percentuais na Selic. “Com a piora das previsões nas contas públicas e o despeito ao teto de gastos, o cenário inflacionário fica mais estressado, cenário este que ainda não tem sentido as sucessivas altas dos juros. Por isso, um aperto monetário mais forte é esperado pelo mercado”, diz Davi Lelis, economista e especialista da Valor Investimentos.

Mesmo com a sucessivas altas de 1 ponto percentual que vinham sendo praticas pelo BC, a inflação ainda não deu sinais de arrefecimento. O valor da cesta básica já passou de 600 reais em muitas capitais e acumula alta de 10,41% de janeiro a outubro deste ano. No acumulado de doze meses até outubro, a alta é de 30,08%. A inflação para o motorista é de 18,46%, no mesmo período, a maior inflação para a categoria em 21 anos, segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Em outubro, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a Selic atingiria o nível necessário para ancorar a expectativa da inflação. A meta estabelecida pelo BC é de 3,5% para o índice de preços ao consumidor (IPCA). Campos Neto ainda descartou a possibilidade de ajustar a meta. Por isso, diante ao cenário fiscal e a postura do BC, o mercado espera agora um aperto monetário maior e uma taxa de juros mais agressiva. “O risco Brasil subiu significativamente, refletindo nos contratos futuros e no câmbio. Com essa expectativa de alta na inflação, provavelmente o BC deve subir mais a taxa básica de juros, de 1,5 pontos percentuais até começar a arrefecer”, avalia Flávio de Oliveira, chefe de renda variável da Zahl Investimentos.

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