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Selic a 14% teria impacto pequeno para o crédito, diz Anefac

Avaliação se baseia na diferença entre a Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores que, na média da pessoa física, atingem 123,62% ao ano

Por Da Redação 29 jul 2015, 11h39

A provável alta da taxa básica de juro Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) desta semana terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito, avaliou o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. Segundo o analista, isso ocorre porque existe uma diferença muito grande entre a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores, que, na média da pessoa física, atingem 123,62% ao ano, provocando uma variação de mais de 800% entre as duas pontas.

O Copom começou a se reunir na noite desta terça-feira e deve anunciar nesta quarta a nova taxa Selic. A maior parte do mercado estima que o BC elevará o juro básico em 0,25 ponto percentual, levando a taxa dos atuais 13,75% ao ano para 14%.

A taxa média de juros do mercado para pessoa física, que atualmente é de 6,94% ao mês, deve passar, com o aumento da Selic, para 6,96%. Ao ano, o juro passaria de 123,62% para 124,13%, uma variação de 0,41%.

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Simulações – Um consumidor que desejasse financiar em 12 meses uma geladeira nova, que, à vista, sai por 1.500 reais, com a Selic no patamar atual, pagaria um juro mensal de 5,23%. Assim, a prestação seria de 171,44 reais. No final, o consumidor teria gasto 2.057,29 reais.

Se a Selic for para 14%, a parcela da geladeira passaria a ser de 171,63 reais, 0,19 centavos a mais que a taxa antiga. Esse aumento de 0,19 centavos por parcela resultaria em um aumento de 2,31 reais no preço final do eletrodoméstico, que sairia por 2.059,59 reais.

A utilização de 3.000 reais no rotativo do cartão de crédito por 30 dias, com a taxa Selic atual, de 13,75%, tem uma taxa mensal de 12,54%, ou 376,20 reais. Subindo a Selic para 14%, o juro mensal do cartão passaria a 12,56%, ou 376,80 reais, o que significa uma elevação de 0,60 centavos no valor dos juros cobrados.

Em uma terceira situação, em que um carro custa à vista 25.000 reais, o consumidor que optasse em financiá-lo em 60 meses pagaria cada uma das parcelas a 736,72 reais, com 2,10% de taxa mensal. A parcela, com o aumento da taxa Selic, passaria a 740,25 reais, um aumento de 3,53 reais. Ao final, o carro que sairia por 44.203,04 reais, passa a custar 44.414,76 reais com a elevação da Selic. Um aumento de 211,72 reais.

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