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Secretária do Tesouro dos EUA defende imposto global para multinacionais

Em crítica à guerra fiscal, Janet Yellen afirma que proposta de imposto mínimo sobre multinacionais está em negociação

Por Luisa Purchio Atualizado em 5 abr 2021, 23h42 - Publicado em 5 abr 2021, 13h25

A secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, propôs nesta segunda-feira, 5, um imposto mínimo global para ser aplicado em multinacionais independentemente do local onde estão instaladas as suas sedes. No discurso feito durante o Conselho de Chicago sobre Assuntos Globais, Yellen pediu esforços e cooperação global sobre o tema para evitar uma guerra fiscal na qual os países reduzem os impostos para atrair negócios.

Trabalhada com 140 países por meio da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do G-20, a proposta envolve um tributo mínimo global de 21% pago pelas empresas multinacionais. “É uma mudança relevante no sistema tributário global. A ideia é fazer com que todas as empresas operem no mesmo cenário base e acabar com esse movimento em que elas sempre buscam se instalar no local onde paga menos impostos”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

  • Yellen afirmou que competitividade se trata mais de “garantir que os governos tenham sistemas tributáveis que gerem receita suficiente para investir em bens públicos essenciais e responder às crises, e que todos os cidadãos compartilhem de forma justa o ônus de financiar o governo”, e menos de como as empresas sediadas nos Estados Unidos se saem na tarifação em comparação com outras no mercado global. Na quarta-feira, a secretária se reunirá com o G-20.

    Além disso, Yellen propôs um aumento dos impostos corporativos nos Estados Unidos de 21% para 28%, marcando o fim da era Trump de incentivo tributário aos mercados. O presidente anterior reduziu os tributos de 35% para 21% em sua gestão. Apesar da alta proposta por Biden, ela é melhor menor que o esperado pelos mercados, que aguardavam uma subida de 35%. A fala da secretária acontece no momento em que o governo Biden se articula no Congresso para encontrar formas de financiar o novo pacote de mais de 2 trilhões de dólares direcionado à infraestrutura. Com foco na recuperação dos empregos americanos, que continuam muito abaixo dos níveis pré pandemia, o pacote de Biden mira a construção de pontes, estradas, redes de água e de eletricidade nos Estados Unidos.

    O primeiro discurso mais significativo sobre finanças globais marca um retorno dos Estados Unidos ao papel de protagonismo nas negociações mundiais. Em uma crítica à administração Trump, Yellen destacou a importância de manter os Estados Unidos próximo do cenário global, e não isolado como ocorreu nos últimos quatro anos, e enfatizou a importância de combater as mudanças climáticas, a pobreza e a pandemia da Covid-19, incentivando os países a não tirarem seus incentivos fiscais até que a crise acabe.

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