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Se não houver acordo EUA-China, Brasil pode ser beneficiado, diz ministra

Em meio a ameaças de Trump contra chineses, Tereza Cristina fará viagem à Ásia para promover a agropecuária brasileira

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta segunda-feira, 6, que, caso os Estados Unidos e a China não alcancem acordo, o Brasil poderá ser beneficiado. Ela, porém foi cautelosa ao comentar a declaração do presidente americano Donald Trump, que, no Twitter, anunciou o aumento, a partir de sexta-feira, nas tarifas de 10% para 25% em cima de 200 bilhões de dólares em produtos chineses. Além disso, Trump ameaçou tarifar “em breve” em 25% o equivalente a 325 bilhões de dólares em outros produtos da China.

“Precisamos saber se foi só um recado duro ou se isso vai se efetivar”, afirmou a ministra, após participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Claro que, se os Estados Unidos e a China não entrarem em acordo, e se as tarifas não voltarem ao que eram antes, realmente é uma oportunidade, uma janela de oportunidade a mais para o Brasil.”

A relação comercial entre Brasil e China vem melhorando desde que os Estados Unidos e o país asiático entraram em guerra comercial no início de 2018. As exportações brasileiras aumentaram em 35,2% para o país asiático no ano passado em relação ao ano anterior.

Segundo dados do Ministério da Economia, a soja, principal produto brasileiro da pauta de exportações, foi o que mais se beneficiou: representando 14% das vendas totais externas do país em 2018. De toda a receita exportada do grão, 82% foi para a China.

Na madrugada desta terça-feira, 7, a ministra embarca para a Ásia, onde tentará abrir mercados para o Brasil, principalmente no setor de proteína animal. “Eu vou chegar lá em meio a toda essa negociação (China e EUA) e eu vou fazer uma leitura do que isso pode representar para o Brasil, principalmente para a soja, que é nossa grande preocupação”, afirmou.

O país é concorrente dos EUA na exportação de soja para a China. “Já a carne, os chineses terão que importar para suprir sua demanda interna, e hoje já tem um alto preço. Então, o Brasil pode colaborar um pouco para que esses preços lá possam cair.”

Ela contou que na China vai dizer que o Brasil é um grande parceiro. “Somos parceiros confiáveis, temos produtos de qualidade e volume, de soja, milho, enfim”, declarou. Sobre novas habilitações de indústrias, Tereza Cristina disse que ainda não há sinalização. “Essa resposta nós vamos trazer de lá”, afirmou.

A ministra fará uma viagem de 16 dias ao continente asiático passando por quatro países: Japão, China, Vietnã e Indonésia. O objetivo da delegação brasileira será o de promover o setor agropecuário brasileiro e ampliar a participação nesses mercados.

(Com Estadão Conteúdo)