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Santos tem ‘cemitério’ de imóveis com adiamento de planos da Petrobras

Segundo jornal, duas das três torres comerciais que comporiam a sede da estatal na cidade litorânea ainda não foram construídas

Por Da Redação 19 jan 2015, 10h34

As três torres comerciais próximas ao porto de Santos, símbolo da pujança dos investimentos no pré-sal no litoral paulista, eram para estar cheias de funcionários. Porém, segundo o jornal Valor Econômico, o que se vê são projetos imobiliários atrasados, apenas uma torre construída e muitas salas comerciais na região à venda ou ofertadas para aluguel sem interessados. A Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UN-BS), criada em 2006 pela estatal, traria muitas empresas ligadas à indústria de óleo e gás para a região. Pelo menos essa era a ideia original.

A estimativa da estatal, na época, era concluir as obras das torres da sede em 2015, mas até agora só uma está de pé e, ainda assim, só funciona parcialmente. As poucas empresas que se instalaram na região foram a italiana Saipem, no Guarujá (SP), e a Iesa Óleo e Gás, em São Vicente (contudo, a unidade foi fechada em 2014).

Nos últimos anos, a Petrobras mudou sua estratégia de investimento na cidade, deixou de lado a ideia de investir em logística própria e os investimentos minguaram. A estatal refez seu planejamento e, segundo o jornal, o plano da sede própria deu lugar à estratégia mais tímida de contratar infraestrutura já existente. Uma licitação para locação de dois berços de atracação no porto de Santos, por exemplo, foi cancelada em 2014. Em resposta, a Petrobras disse que “oportunamente divulgará quando serão iniciadas as expansões das outras torres”.

Além do menor interesse da própria estatal para alavancar negócios na região, a desaceleração da economia também ajuda a explicar a baixa procura por salas comerciais nas proximidades da sede. Para especialistas, o mercado de imóveis comerciais em Santos está pior do que o residencial e a perspectiva para 2015 é de estabilidade.

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A Petrobras passa por um momento delicado, com investigações no Brasil e nos Estados Unidos sobre superfaturamento de obras e corrupção. As investigações da Operação Lava Jato levaram a estatal a cortar ligações com 23 empresas que também estão sendo alvo de investigação da Polícia Federal. A Petrobras já informou que reduzirá seus investimentos em 2015.

Além das empreiteiras investigadas, outras fornecedoras da estatal passam por dificuldades financeiras, como os estaleiros do Rio Grande do Sul. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo no fim de semana, este é o caso dos estaleiros Honório Bicalho, Rio Grande (operado pela Ecovix) e Estaleiros do Brasil (EBR, operada pela japonesa Toyo e a brasileira Setal). As dificuldades passam pela liberação de verba, o pagamento de fornecedores e a contratação de pessoal. Embora os estaleiros insistam em negar que as investigações estejam prejudicando as atividades, nos bastidores a percepção é de que as obras estão “com o pé no freio”.

Além dos problemas envolvendo a Petrobras, os estaleiros do sul do RS enfrentam desafios internos também provocados pela operação Lava Jato, já que todos têm participação direta ou indireta de empresas que são investigadas pela Polícia Federal. A QGI é controlada pela Queiroz Galvão e pela Iesa, ambas envolvidas no escândalo. A Ecovix, por sua vez, faz parte da mesma holding da Engevix, igualmente alvo da Lava Jato. No caso da Toyo Setal, que controla o estaleiro EBR, dois executivos fizeram acordo de delação premiada sobre o esquema de corrupção na Petrobras.

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