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Santander Brasil lucra menos, promete velocidade de cruzeiro

Por Da Redação - 31 jan 2012, 12h48

SÃO PAULO (Reuters) – O Santander Brasil acenou com a superação de problemas de integração para deslanchar em 2012 e deixar de perder espaço para seus principais concorrentes, após nova rodada de queda de lucro e piora da qualidade da carteira de crédito.

“Vamos atingir velocidade de cruzeiro no segundo semestre”, afirmou a jornalistas nesta terça-feira o presidente-executivo do banco no país, Marcial Portela, ecoando previsão da matriz, de que no Brasil o banco terá alta de 15 por cento no lucro este ano.

Mais cedo, o banco anunciou ter tido lucro líquido de 1,799 bilhão de reais no quarto trimestre, com uma queda de 6,2 por cento em relação a igual período de 2010.

De todo modo, a última linha veio um pouco acima da previsão média de analistas consultados pela Reuters para o período, de 1,76 bilhão de reais .

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Além disso, o grupo viu sua carteira de crédito crescer 20,9 por cento em 12 meses, para 194,18 bilhões de reais, em ritmo superior à média do mercado, com destaque para cartão de crédito (+31,5 por cento) e pequenas empresas (+25,1 por cento).

Mas isso não foi suficiente para agradar os investidores. Às 13h38, a unit do banco na Bovespa caía 1,89 por cento, a 16,12 reais, enquanto o Ibovespa avançava 0,26 por cento.

Isso porque alguns dados qualitativos no banco voltaram a registrar piora. Como exemplo, o índice de inadimplência, medido pelas operações vencidas há mais de 90 dias, chegou a 4,5 por cento, ante 4,3 por cento no trimestre anterior e 3,9 por cento no quarto trimestre de 2010.

E as despesas gerais cresceram 9,4 por cento no trimestre e 14,1 por cento na comparação anual, a 3,77 bilhões de reais, em meio a gastos maiores com processos trabalhistas.

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“O resultado do quarto trimestre ficou um pouco abaixo das nossas expectativas”, escreveu a equipe liderada pelo analista Ricardo Tadeu Martins, da Planner Corretora, em relatório.

Mas executivos do banco garantiram que a integração tecnológica, perna fraca do processo de fusão com o Banco Real, comprado em 2007, está sendo finalmente resolvida e que os resultados vão começar a aparecer. “Vamos poder focar mais nos negócios agora”, disse Portela.

Nos últimos dois anos, após ter feito uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de 14 bilhões de reais, o Santander Brasil conseguiu um largo reforço de capital, mas tem tido resultados operacionais mais fracos que seus concorrentes, o que o tem feito perder participação de mercado.

Para 2012, o banco espera começar a virar o jogo. Em termos de qualidade de ativos, a previsão é ainda de pequena piora no índice de inadimplência neste primeiro trimestre, mas que haverá uma reversão dessa tendência na segunda metade do ano.

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Assim, o banco já desacelerou a provisão para perdas esperadas com calotes no último quarto de 2011, com um volume de 2,32 bilhões de reais, montante 14,2 por cento menor do que no trimestre imediatamente anterior.

BRASIL, A SALVAÇÃO DA LAVOURA

A fatia de Brasil no resultado global do Santander alcançou 28 por cento em 2011. Para este ano, a expectativa é de que esse percentual chegue a 30 por cento, enquanto a matriz sofre com os efeitos da crise europeia, que fizeram seu lucro recorrente global encolher 14 por cento no ano passado .

No Brasil, o Santander encerrou 2011 com ativos totais de 399,886 bilhões de reais, uma alta anual de 6,7 por cento.

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(Por Aluísio Alves)

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