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Samsung registra lucro recorde com IA, mas ações despencam por temor de bolha

Demanda por inteligência artificial impulsiona resultado histórico da gigante sul-coreana

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 18h28 | Atualizado em 7 jul 2026, 18h34
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A corrida global pela inteligência artificial levou a Samsung a registrar mais um trimestre histórico.

A maior fabricante de chips de memória do mundo anunciou uma projeção de lucro operacional recorde entre abril e junho, impulsionada pela forte demanda por semicondutores usados em servidores e data centers de IA.

O mercado, porém, reagiu na direção oposta.

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As ações da empresa chegaram a cair 10% durante o pregão desta terça-feira e encerraram o dia com baixa de 8%, refletindo um crescente receio de que o setor esteja investindo demais em capacidade produtiva justamente quando surgem dúvidas sobre a sustentabilidade do boom da inteligência artificial.

Lucro dispara com explosão da IA

A Samsung estima um lucro operacional de 89,4 trilhões de wons, cerca de US$ 58,4 bilhões (R$ 318 bilhões) no segundo trimestre de 2026.

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O resultado representa um salto de aproximadamente 19 vezes em relação ao mesmo período do ano passado e supera, sozinho, todo o lucro obtido pela companhia ao longo de 2025.

A receita também mais do que dobrou, alcançando aproximadamente 171 trilhões de wons, impulsionada principalmente pela valorização dos chips de memória.

Segundo estimativas do mercado, os preços médios dos chips DRAM — utilizados como memória temporária em computadores e servidores — aumentaram cerca de 44% no trimestre. Já os chips NAND, responsáveis pelo armazenamento permanente de dados, registraram alta de aproximadamente 53%.

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O principal motor dessa valorização continua sendo a expansão dos grandes data centers voltados para inteligência artificial.

Mercado teme excesso de investimentos

Apesar do desempenho financeiro excepcional, investidores passaram a demonstrar preocupação com o ritmo dos investimentos anunciados pelas gigantes do setor.

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Nos últimos meses, empresas de tecnologia vêm destinando centenas de bilhões de dólares à construção de novos data centers e fábricas de semicondutores. O temor é que essa expansão resulte em um excesso de oferta nos próximos anos, pressionando preços e reduzindo margens de lucro.

As preocupações aumentaram após relatos de que parte da infraestrutura de IA construída por grandes empresas poderá ser comercializada para terceiros, indicando que a capacidade instalada talvez esteja crescendo mais rapidamente do que a demanda.

Analistas afirmam que o mercado começa a questionar até quando os investimentos bilionários em inteligência artificial continuarão crescendo no ritmo atual.

Queda atinge todo o setor de chips

O movimento não ficou restrito à Samsung.

As ações da SK Hynix, outra gigante sul-coreana de memória, recuaram cerca de 7%, enquanto a japonesa Kioxia caiu aproximadamente 11%.

O impacto foi suficiente para provocar forte volatilidade no índice Kospi, principal indicador da Bolsa da Coreia do Sul, que chegou a despencar 8% durante o pregão, acionando mecanismos automáticos de interrupção das negociações.

Especialistas avaliam que o mercado continua acreditando no crescimento da inteligência artificial, mas exige sinais mais claros de que a demanda permanecerá elevada por vários anos.

Expansão bilionária segue em curso

Mesmo diante da reação negativa dos investidores, os planos de expansão permanecem intactos.

Samsung e SK Hynix anunciaram projetos que, juntos, podem superar US$ 600 bilhões (R$ 3,27 trilhões) em investimentos para ampliar a produção de semicondutores na Coreia do Sul ao longo das próximas décadas.

A expectativa da indústria é que a escassez global de chips voltados à inteligência artificial continue ao menos até 2027. Ainda assim, parte do mercado já começa a discutir se o atual ciclo de investimentos não está se aproximando do limite, aumentando o risco de uma futura superoferta.

Para analistas, o desempenho da Samsung mostra que a demanda por IA continua extremamente forte, mas a reação das bolsas revela uma mudança de percepção: mais importante do que registrar lucros recordes será convencer os investidores de que o crescimento da inteligência artificial continuará sustentando esse nível de rentabilidade pelos próximos anos.

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