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Safra de grãos deve ser recorde em 2022, apesar do clima reduzir projeção

Produção deve alcançar 258,9 milhões de toneladas este ano, acima da máxima de 2020; estiagem no Sul e efeito na soja baixam estimativa em 1%

Por Da Redação Atualizado em 7 abr 2022, 21h40 - Publicado em 7 abr 2022, 09h28

A safra brasileira de grãos deve alcançar 258,9 milhões de toneladas em 2022, segundo a estimativa de março do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira, 7,  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o estimado no mês passado, houve queda de 1% ou de 2,7 milhões de toneladas. Mesmo com essa queda, a produção deve superar em 2,3% o total colhido no ano passado,  passando o recorde de 2020, quando foram produzidos no país 255,4 milhões de toneladas.

A queda na estimativa de março foi impactada principalmente pelo declínio da soja, cuja produção deve ser 5,6% menor do que o previsto no mês anterior. De acordo com o gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, a menor estimativa do grão se deve aos problemas climáticos enfrentados em importantes regiões produtoras, como os estados do Sul. “Houve uma estiagem que durou de novembro do ano passado até janeiro deste ano e isso prejudicou muito a safra do Rio Grande do Sul e do Paraná”, afirma.

Com a quebra da safra dos estados do Sul, Goiás deve se tornar o segundo maior produtor nacional de soja, atrás apenas de Mato Grosso, que responde por quase um terço da produção brasileira da leguminosa. Já o Paraná e o Rio Grande do Sul devem produzir 41,1% e 53,5% menos soja do que a safra anterior, respectivamente. Com as perdas, a participação da soja no volume total de grãos deve cair para 44,9%.

A falta de chuvas também prejudicou a produção da primeira safra do milho, que foi estimada em 24,7 milhões de toneladas em março, o que representa queda de 3,8% frente ao previsto no mês anterior e de 3,9% em relação ao produzido no ano passado. “A expectativa é de uma boa produção na segunda safra do milho, que deve ter aumento de 40,4% na comparação com 2021. Com a alta de preços no mercado internacional e os investimentos nas áreas de cultivo, a produção deve crescer e ser um novo recorde na série histórica”, diz o pesquisador. Ao alcançar 87,2 milhões de toneladas, a segunda safra do milho deve ser 4,9% maior do que o divulgado no mês anterior.

O arroz foi outra cultura atingida pelos problemas climáticos. “Essa é uma produção muito concentrada no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, que deve ter uma safra 10,6% menor do que a de 2021. Nesses estados, faltou água para irrigação e a produtividade caiu. Na comparação com o ano passado, a produção nacional teve queda de 8,0%”, afirma Guedes.

A produção da primeira safra do feijão também foi prejudicada devido à falta de chuvas nos três estados do Sul. Mesmo com as adversidades enfrentadas por esses estados produtores, essa safra deve atingir 1,2 milhão de toneladas, com aumento de 2% frente ao estimado em fevereiro.

A primeira safra representa 38,2% do total de feijão produzido no país. Somando as três safras, a produção do feijão deve chegar a 3,2 milhões de toneladas, aumento de 3,0% frente à previsão do mês passado e de 13,9% na comparação com a colheita do ano anterior.

Já a produção de café, considerando as espécies arábica e canephora, deve atingir 3,4 milhões de toneladas, aumento de 14,4% em relação ao ano passado. O Brasil é o maior produtor e o maior exportador de café do mundo. O café arábica representa 69,1% de todo esse café produzido no país e sua produção está concentrada principalmente em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Por causa do inverno severo no ano anterior, algumas regiões produtivas tiveram suas lavouras atingidas, o que pode ter diminuído o potencial para este ano.

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