Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Rumor sobre IOF de derivativos reduz alta do dólar

Moeda fechou o dia cotada em 1,98 real, após bater 2,002 ao longo do pregão

Rumores de que o governo estuda a retirada, no curto prazo, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações com derivativos diminuíram a pressão de alta do dólar na tarde desta terça-feira. Após bater a máxima de 2,002 reais no mercado à vista de balcão e no contrato futuro de junho, a moeda cedeu a 1,987 real (+0,25%) no fechamento do pronto. Às 17h16, o dólar junho estava em 1,9875 real (+0,15%).

A reação do mercado aos comentários não foi impetuosa, mas teve importância, pois ocorreu no momento em que, no exterior, a tensão se acentuava, após uma manhã mais amena. O euro, por exemplo, tinha rompido a marca de 1,25 dólar e se sustentava fraco, depois que houve o rebaixamento do rating soberano da Espanha pela agência de classificação de risco Egan-Jones, de BB- para B. Na mínima, a moeda europeia cedeu a 1,2461 dólar , a menor cotação desde julho de 2010, quando foi de 1,2470 dólar.

Sinais – “O fato de haver uma sinalização de que o governo está pensando em mexer nas medidas mereceu uma reação dos investidores porque o mercado precisa de um alívio. Precisa da sinalização de que as pressões adicionais colocadas na cotação do dólar com o arsenal que o governo criou no câmbio podem ser aliviadas, se a aversão ao risco aumentar ainda mais”, disse um analista.

Sobre o prazo para que esse alívio ocorra, o analista disse que “pode ocorrer a qualquer momento”. Em sua percepção, o governo não precisaria esperar um agravamento ainda maior do cenário internacional, pois “a moeda já andou sozinha”.

Outro operador ouvido Agência Estado concordou que medidas para aliviar a pressão no dólar podem surgir a qualquer momento. “O mercado ainda é de alta e o Banco Central está administrando de perto a situação”, acrescentou. Por isso, acredita esse especialista, a decisão de retirar o IOF nos derivativos poderia ocorrer no caso de falta de dólares ou se o governo vislumbrar piora das tensões internacionais.

É necessário considerar também que o mercado está às vésperas da formação da taxa de câmbio que será usada na liquidação dos contratos futuros de junho e em meio ao processo de rolagem das posições nos derivativos cambiais. Assim, esses movimentos técnicos tendem a interferir nos negócios. Ainda mais que, durante este mês, os investidores mostraram alterações importantes nas apostas com esses ativos. Os estrangeiros, por exemplo, fecharam o mês de abril vendidos em 463 milhões de dólares e, na segunda-feira, encerraram os negócios comprados em 3,528 bilhões de dólares.

(Com Agência Estado)