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Rombo nas contas externas sobe 70% e soma US$ 67,5 bi no ano

Valor representa 3,67% do PIB e é o maior porcentual registrado em 10 anos

O Brasil registrou déficit em transações correntes de 7,132 bilhões de dólares em outubro, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira. No acumulado até outubro, o déficit em conta corrente do país ficou em 67,5 bilhões de dólares ou 3,67% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano passado e o maior nível em relação ao PIB dos últimos dez anos. O déficit mensal é o maior da série histórica para meses de outubro. Considerando todos os meses do ano, é o quinto maior resultado negativo.

Economistas previam um saldo negativo da conta corrente de 7 bilhões de dólares no mês passado, enquanto o BC estimava um déficit bem menor, de 5,3 bilhões de dólares. O déficit nas transações correntes – que abrangem a importação e a exportação de bens e serviços e as transações unilaterais – foi impactado, em outubro, pelo saldo negativo de 224 milhões na balança comercial, abalada, entre outros motivos, pelo fraco desempenho da economia internacional. De janeiro a outubro, a balança acumula déficit de 1,833 bilhão de dólares.

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O Banco Central estima que o resultado da conta de transações correntes fique negativo em 75 bilhões de dólares este ano, mas o mercado financeiro prevê déficit de 79,5 bilhões de reais. Ambos os números representam recorde, segundo a série histórica do BC.

Gastos no exterior – Também pesou negativamente para o saldo os elevados gastos de brasileiros no exterior. A conta de viagens internacionais registrou um déficit de 1,780 bilhão de dólares em outubro. Esse valor é resultado do volume de despesas pagas por brasileiros no exterior (de 2,314 bilhões de dólares), acima das receitas positivas com turistas estrangeiros em passeios pelo Brasil (533 milhões de dólares). O total gasto por brasileiros lá fora também foi recorde para todos os meses, segundo a série histórica do BC. O recorde anterior havia sido registrado em janeiro deste ano (2,29 bilhões de dólares). Os gastos vêm aumentando a cada mês, mesmo com a valorização cambial. A moeda americana fechou cotada acima de 2,30 reais na quinta-feira.

IED – Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram 5,362 bilhões de dólares em outubro, resultado que ficou abaixo dos 7,730 bilhões de dólares registrados no mesmo período do ano passado.

No acumulado do ano até o mês passado, o IED soma 49,144 bilhões de dólares, o equivalente a 2,64% do PIB. No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de 55,327 bilhões de dólares (2,95% o PIB). Em 12 meses até outubro, o IED está em 59,088 bilhões de dólares, o que corresponde a 2,64% do PIB.

Remessas – O saldo de remessas de lucros e dividendos ficou negativo em 1,348 bilhão de dólares em outubro. As receitas (16 milhões de dólares) ficaram abaixo das remessas (1,364 bilhão de dólares) no mês passado. No mesmo período de 2012, o resultado foi uma saída líquida de 2,355 bilhões de dólares. No acumulado de 2013, o saldo está negativo em 18,373 bilhões de dólares, ante 17,706 bilhões de dólares no mesmo período de 2012.

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(Com Estadão Conteúdo)