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Robôs marcham na Polônia contra o uso indiscriminado de IA; veja vídeo

Organizadores alertam para o risco de que trabalhadores intelectuais sejam substituídos por robôs inteligentes e exigem regras para sua adoção

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 set 2026, 16h59 | Atualizado em 7 set 2026, 16h59
Robôs marcham na Polônia contra o uso indiscriminado de IA; veja vídeo Priorize VEJA no Google

Um protesto que parece saído dos filmes de ficção científica chamou a atenção nas ruas de Varsóvia, a capital da Polônia, nesta segunda-feira 7. Cerca de 30 robôs humanoides marcharam até a frente do Ministério de Assuntos Digitais para exigir a regulamentação imediata da inteligência artificial (IA) no país. Carregando bandeiras, os robôs entoavam palavras de ordem como “Defendam seus empregos” e “Chegou a hora de regulamentar”.

Organizada pelo grupo Democratism, a manifestação criticava a possibilidade de máquinas humanoides dotadas de IA substituírem seres humanos em trabalhos cognitivos, isto é, aqueles que exigem, entre outras habilidades, o pensamento crítico, a capacidade de abstração e a resolução de problemas complexos. “Se não reagirmos agora, teremos um problema em breve”, afirmou um dos organizadores, Grzegorz Kulis, à agência de notícias AFP.

Para os mais céticos em relação à possível substituição de humanos por máquinas inteligentes, os próprios robôs esclareciam que o próprio fato de estarem lá já era motivo suficiente para que a questão seja debatida seriamente. “Os robôs aqui presentes devem demonstrar que essa tecnologia já é uma realidade”, afirmou um deles, que se apresentou como Agibot A3, à AFP.

Por mais pitoresco que possa parecer, o protesto faz coro às projeções de especialistas dos mais diversos ramos. Recentemente, por exemplo, o banco de investimentos britânico Barclays divulgou um relatório em que estima que o mercado de robôs humanoides pode escalar dos atuais 2 bilhões de dólares para 200 bilhões até 2035. Considerando-se todo o ecossistema envolvido na sua produção e manutenção, tais como os softwares de IA, os componentes e serviços agregados, o banco estima que essas máquinas estarão no centro de um mercado de até 1 trilhão de dólares.

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Os especialistas preveem que sua adoção começará nas fábricas, substituindo trabalhadores braçais em tarefas pesadas e repetitivas. A substituição tem o potencial de eliminar inúmeros postos de trabalho. Somente nos Estados Unidos, o Barclays estima que 33% dos operários exercem atividades repetitivas que podem ser desempenhadas por esses robôs.

Na medida em que os softwares de IA forem aprimorados, os humanoides passarão a exercer atividades hoje vistas como exclusivamente humanas, como as que exigem capacidade de pensar analiticamente. Será a hora de o trabalho intelectual ser executado por cérebros eletrônicos.

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Em seu site, o Democratism afirma não ser contra o avanço tecnológico, desde que haja um amplo debate sobre os termos em que ele se dará. “Não impediremos a tecnologia de se desenvolver, mas podemos influenciar como ela é lançada e em quais termos remodelará o mercado de trabalho”, afirma o movimento.

Veja o vídeo do protesto dos robôs realizado nesta segunda-feira, 7, em Varsóvia, capital da Polônia.

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