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Risco externo maior deve levar Bovespa para baixo

Por Da Redação
23 Maio 2012, 10h18

Por Renata Pedini

São Paulo – A aversão generalizada ao risco pode levar a Bovespa à menor pontuação do ano, abaixo dos 54 mil pontos, nesta quarta-feira. A tensão no exterior foi realimentada pela redução das expectativas em relação ao encontro de cúpula e jantar informal dos chefes de governo dos países da União Europeia (UE), em meio à posição contrária da Alemanha ao lançamento de eurobônus e a declarações confusas do ex-primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, sobre a saída do país da zona do euro. Por volta das 10h05, o Ibovespa caía 0,49%, aos 54.767,84 pontos.

No mesmo horário, em Nova York, o futuro do S&P 500 cedia 0,44% e o do Nasdaq 100 futuro perdia 0,48%. Na Europa, os principais índices de ações também caíam forte: Paris, -1,67%, Frankfurt, -1,30% e Madri, -1,92%.

Segundo um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista, o nervosismo pode levar o Ibovespa a buscar nesta quarta-feira o próximo suporte, situado no intervalo entre os 54 mil e os 53,8 mil pontos. “Se perder este último nível, pode testar os 52.500 pontos”, disse, ressaltando que a Bolsa brasileira deve operar em linha com o exterior, à espera de uma sinalização da reunião de líderes da UE para uma saída da crise de dívida do bloco.

O economista e sócio da Órama Investimentos, Alvaro Bandeira, não acredita em acordo definitivo no encontro que começa às 14 horas (horário de Brasília), em Bruxelas. Mas também não descarta um resultado positivo da negociação. “Depende principalmente de conseguirem dobrar a Angela Merkel (chanceler alemã) sobre os eurobônus e da discussão sobre a adoção de políticas de afrouxamento quantitativo”, diz, acrescentando que, na ausência de um consenso, a tendência para os ativos de risco é de queda.

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Nesta quarta-feira, a Alemanha reafirmou ser contrária à ideia de lançamento de títulos soberanos comuns da zona do euro (eurobônus), que contribuiriam para minimizar as restrições de financiamento de vários países da região. Há a expectativa de que o assunto seja discutido na reunião de líderes europeus, mas permanecem dúvidas sobre uma eventual flexibilização alemã quanto à busca pela austeridade. Segundo o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, lançar tais papéis significaria “dar incentivos completamente errados” para solucionar a crise da dívida soberana da Europa.

Vale lembrar que o presidente da França, François Hollande, é favorável aos eurobônus e à discussão de meios para estimular o crescimento econômico do bloco. “Merkel ficou praticamente sozinha”, ressalta o mesmo operador do mercado

Além disso, pesam sobre os mercados internacionais declarações do ex-primeiro-ministro grego Lucas Papademos. Ontem, ele admitiu a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro, ao afirmar que governos e instituições da Europa estariam preparando planos de contingência caso isso ocorresse. Mais tarde, Papademos quis esclarecer, em entrevista, que desconhece preparativos para a exclusão da Grécia da região, cenário que considera de materialização improvável, renovando incertezas.

Nos Estados Unidos, diante da aversão, há dúvidas sobre a reação aos indicadores econômicos a serem divulgados nesta quarta-feira. Às 11 horas, saem dados sobre as vendas de imóveis novos, com previsões de alta de 2,1% em abril, após o tombo de março (-7,1%). No mesmo horário, também será divulgado o índice de preços de moradias nos EUA em março. Às 11h30, serão divulgados números sobre os estoques semanais de petróleo, que devem mostrar alta do óleo cru, de 500 mil barris.

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