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Risco de rebaixamento leva dólar à 5ª sessão de alta

Moeda norte-americana chegou a ser cotada a 3,43 reais, mas desacelerou a alta e fechou a 3,37 reais nesta terça

Por Da Redação 28 jul 2015, 18h22

O dólar completou a quinta sessão de alta consecutiva ante o real nesta terça-feira, 28, dia em que a decisão da Standard & Poor’s (S&P) de revisar de estável para negativa a perspectiva para a nota soberana do Brasil levou a moeda ao patamar de 3,43 reais, na máxima da sessão.

Apesar da alta, a moeda americana desacelerou e avançou 0,15%, a 3,37 reais na venda. Na máxima da sessão, a moeda norte-americana avançou 2%. Nas últimas cinco sessões, incluindo essa, a divisa já acumulou alta de 6,17%. “O mercado estava esperando algo semelhante. A surpresa é que veio da S&P, e não da Moody’s”, afirmou o economista da 4Cast Pedro Tuesta, lembrando que a Moody’s está prestes a avaliar a nota do país novamente.

Após a forte reação negativa à decisão da agência de classificação de risco, a moeda retornou a níveis mais moderados, para mesmo assim fechar em alta. A moeda americana também renovou sucessivas máximas em meio às notícias de prisões na nova fase da Operação Lava Jato.

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A agência manteve nota do país em BBB-, mas alterou a perspectiva para negativa, de estável. O rating da agência representa apenas um degrau acima do grau especulativo.

A instituição alegou que os riscos para a execução das mudanças da política econômica subiram, nas frentes política e econômica. Segundo a S&P, as investigações do esquema de corrupção na Petrobras levaram a um aumento da incerteza política no curto prazo.

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A S&P disse ainda ver diminuição da coesão política no Congresso, o que pode causar um risco material para um eventual rebaixamento por causa da possibilidade de gerar “políticas ineficazes”. A S&P destacou ainda os desafios enfrentados pela presidente Dilma Rousseff para angariar apoio para a “correção de rumo na política” e uma “reviravolta na economia”.

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Dólar e juros reagiram mal, mesmo que nos últimos dias os ativos domésticos tivessem embutido nos preços uma reavaliação para pior, por parte das agências, do quadro nacional. Ao mesmo tempo, isso também colaborou para que o estresse não se esticasse até o fechamento.

Os investidores temem que as demais agências de classificação de risco sigam o mesmo caminho, principalmente a Moody’s, que tende a, pelo menos, revisar para negativo o atual outlook estável da nota brasileira.

Os investidores também dão como certa a perda de grau de investimento nos próximos meses, já que há um ceticismo sobre a aprovação das medidas fiscais, que depende de um entendimento entre o Executivo e o Congresso que, por sua vez, estão em conflito.

(Com Estadão Conteúdo)

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