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Reunião de cúpula europeia discutirá disciplina fiscal

Por Por María Lorente 1 mar 2012, 12h11

Os líderes da União Europeia (UE), reunidos em Bruxelas nesta quinta-feira, vão tentar acabar com as divergências sobre as formas de impulsionar o crescimento, em uma cúpula dedicada ao plano alemão de disciplina fiscal na Europa.

“Tenho certeza de que irão concordar comigo que um pouco menos de drama não faria mal a ninguém”, disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso antes do encontro, que começa às 18H00 (14H00 de Brasília).

Chefes de Estado e de Governo da UE discutirão durante dois dias medidas para impulsionar o crescimento em um continente que vai terminar o ano em recessão, de acordo com previsões recentes, e atormentado pelo desemprego, que atingiu um recorde de 10,7% no bloco dos 17 países da Eurozona.

“A UE, nos últimos meses, dedicou suas atenções para a estabilidade financeira”, destacou o mandatário belga, Elio di Rupo.

Mas, as opiniões dos 27 são “muito diferentes”, acrescentou Di Rupo, evocando o eixo franco-alemão e as receitas econômicas defendidas por 12 países, liderados pelo primeiro-ministro britânico David Cameron.

“Os objetivos são os mesmos, os meios para atingir estes objetivos são completamente diferentes”, lamentou o primeiro-ministro da Bélgica.

Doze países, entre os quais a Espanha, enviaram uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e para Barroso, pedindo “um forte estímulo com sinais específicos para impulsionar o crescimento europeu”.

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Desta forma, a Espanha espera obter aliados para rever suas metas de déficit para 2012, sobretudo entre os países periféricos que tiveram que adotar as draconianas medidas de austeridade exigidas pro Bruxelas.

Tudo indica que este será o tema mais importante da reunião depois do cancelamento da reunião de líderes da Eurozona, que estava prevista para sexta-feira para decidir o reforço do Pacto de Estabilidade Europeu, o fundo de resgate permanente criado para ajudar os países com problemas financeiros nos mercados da dívida.

Os europeus decidiram adiar esta decisão para o final de março com o objetivo de dar mais tempo a Berlim, que está muito reticente na criação desta “porta corta-fogo” tão resistente, afirmou uma fonte europeia.

A Alemanha, maior economia da Europa, acredita que não há urgência para dar mais força a esta porta corta-fogo, apesar da pressão da comunidade internacional e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os líderes europeus esperam que o novo pacto entre em vigor em julho com uma capacidade de empréstimo de 500 bilhões de euros, substituindo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

A ideia é aumentar a capacidade para 750 bilhões de euros, dar poder para que possa investir no mercado de dívida e recaptalizar os frágeis bancos europeus.

No entanto, todos os líderes europeus acreditam que a Alemanha cederá, sobretudo depois que a maioria dos países da UE assinarem um restrito pacto de conduta fiscal.

A sua ratificação foi ofuscada, no entanto, pelo anúncio da Irlanda de realizar um referendo sobre o pacto que obriga os signatários a incorporar na sua legislação uma “regra de ouro” de equilíbrio orçamentário que pune os infratores.

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