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Ressaca na Diageo: gigante dos destilados lança plano de recuperação de US$ 1 bilhão

Dona de Johnnie Walker, Smirnoff e Tanqueray, empresa vê ações dispararem após detalhar estratégia para recuperar vendas e reduzir custos.

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 ago 2026, 09h55 | Atualizado em 6 ago 2026, 10h23
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A maior fabricante de bebidas destiladas do mundo atravessa uma ressaca prolongada. A Diageo, dona de marcas como Johnnie Walker, Smirnoff, Tanqueray, Don Julio e da cerveja Guinness, anunciou nesta quinta-feira, 6, um plano para economizar 1 bilhão de dólares ao longo dos próximos três anos e tentar recuperar o crescimento dos negócios.

O mercado recebeu bem a estratégia. As ações da empresa subiam cerca de 7% na Bolsa de Londres, enquanto os papéis negociados em Nova York avançavam 7,3% no pré-mercado. Os investidores reagiram principalmente à dimensão dos cortes e à apresentação de metas para os próximos exercícios.

A reestruturação custará aproximadamente 1,2 bilhão de dólares. Desse total, 752 milhões de dólares já foram contabilizados no ano fiscal encerrado em junho. A companhia não informou quantos postos de trabalho serão afetados, mas reconheceu que a mudança terá impacto significativo sobre os funcionários.

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Dos ganhos projetados, 850 milhões de dólares virão da reformulação da estrutura operacional. Outros 150 milhões serão obtidos com ajustes na cadeia de suprimentos. A Diageo espera capturar cerca de 40% da economia operacional já no ano fiscal de 2027.

Vendas caem e lucro recua

A ofensiva ocorre após mais um ano de resultados fracos. A receita líquida da Diageo caiu 3% no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de junho, e ficou em 19,6 bilhões de dólares. Desconsiderados os efeitos de aquisições, vendas de ativos e variações cambiais, a retração foi de 2%.

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O lucro operacional informado no balanço caiu 27,2%, para 3,16 bilhões de dólares. O resultado foi afetado pelos custos da reestruturação e pela redução contábil no valor de alguns ativos e marcas.

Sem esses gastos considerados excepcionais, o lucro operacional avançou 2%, para 5,68 bilhões de dólares. A margem ajustada subiu para 28,9%, beneficiada pelas economias já realizadas.

A Diageo também reduziu o dividendo anual para 50 centavos de dólar por ação. A medida libera recursos para diminuir o endividamento e financiar a recuperação dos negócios. A dívida líquida da companhia terminou junho em 20,5 bilhões de dólares.

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Dificuldades nos Estados Unidos e na China

A maior pressão vem da América do Norte, principal mercado da Diageo, onde as vendas recuaram 8,4%. A companhia enfrenta menor demanda, concorrência elevada e dificuldades especialmente no segmento de bebidas destiladas nos Estados Unidos.

O setor vive uma desaceleração depois do aumento no consumo registrado durante a pandemia. A inflação e o custo de vida mais alto também levaram parte dos consumidores a reduzir as compras ou trocar produtos premium por alternativas mais baratas.

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Na China, o desempenho foi prejudicado pela fraqueza no mercado de destilados locais e por mudanças nas políticas do governo. As quedas na América do Norte e na região Ásia-Pacífico compensaram o crescimento obtido na Europa, na África e na América Latina.

Para o ano fiscal de 2027, a Diageo prevê vendas orgânicas praticamente estáveis. Na América do Norte, a expectativa é de nova queda, desta vez ao redor de 5%.

No médio prazo, a companhia projeta voltar a crescer em ritmo baixo, com avanço anual de poucos pontos percentuais nas vendas até 2029. A meta anterior, abandonada em 2025, previa expansão entre 5% e 7%.

O plano também prevê geração acumulada de 8 bilhões de dólares em caixa livre entre 2027 e 2029, já descontados os gastos extraordinários. A Diageo vende seus produtos em quase 180 países e tem ações negociadas nas bolsas de Londres e Nova York.

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