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Residências populares puxam expansão do mercado imobiliário

O setores de médio e alto padrões ainda enfrentam barreiras e encolhem

Por Da redação Atualizado em 21 jul 2017, 09h59 - Publicado em 21 jul 2017, 09h57

O mercado imobiliário deu sinais de recuperação na primeira metade de 2017, com avanço nos lançamentos e nas vendas de imóveis pelas principais construtoras do país. O crescimento, porém, é marcado por um desequilíbrio. Enquanto os negócios seguem aquecidos no setor popular, com empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), o setor de médio e alto padrões ainda enfrenta barreiras e encolhe.

Levantamento com base nos relatórios operacionais de oito empresas listadas na Bolsa (Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, Rodobens, MRV, Direcional e Tenda) mostra que os lançamentos totalizaram 5,14 bilhões de reais no primeiro semestre, 10% mais que no mesmo período do ano passado. As vendas líquidas atingiram 5,19 bilhões de reais, alta de 16%.

  • Os dados não consideram empresas como Tecnisa, Rossi e PDG Realty, que divulgarão seus números nas próximas semanas, com o balanço financeiro.

    O avanço no semestre foi encabeçado por MRV, Tenda e Direcional, cujos projetos estão enquadrados no MCMV. Os lançamentos das três companhias alcançaram 3,70 bilhões de reais, alta de 22% na comparação anual, além de responderem por 72% dos lançamentos do grupo de companhias listadas. As vendas do trio atingiram 3,33 bilhões de reais, alta de 22% e equivalente a 64% dos negócios do grupo.

    Em parte, a bonança do setor se deve à atualização das regras do MCMV, que ampliou de 6,5 mil reais para 9 mil reais o limite da renda dos consumidores que podem adquirir uma moradia do programa. Outro fator positivo é a oferta de financiamento com taxas reduzidas, graças a recursos do FGTS: a taxa gira em torno de 7% a 8% ao ano – para a compra de moradias com preços mais altos as taxas ficam em torno de 10% ao ano.

    No médio e alto padrão, o cenário é distinto. Os lançamentos consolidados de Cyrela, Even, Eztec, Gafisa e Rodobens foram de 1,44 bilhão de reais no semestre, retração de 13% ante 2016. As vendas totalizaram 1,85 bilhão de reais, alta de 7%. “A perspectiva permanece desafiadora, numa combinação de baixa oferta de crédito barato, queda nos preços e volume elevado de estoques”, afirma o analista Gustavo Cambaúva, que assina relatório do banco BTG Pactual.

    O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França, vê chances de uma recuperação continuada do setor, mas pondera que a volta de um crescimento mais firme ainda é incerta.

    (Com Estadão Conteúdo)

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