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Resgate grego salvará bancos, mas comprometerá recuperação

Por Por Isabel Malsang 14 fev 2012, 15h46

Os fundos de resgate poderão salvar o sistema bancário grego, mas os cortes consentidos para obtê-los – como os cortes salariais – afastam a recuperação econômica e ameaçam criar na zona do euro uma periferia de mão de obra barata, alertaram analistas.

Depois de conseguir a aprovação no Parlamento de um memorando econômico com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo dispõe de poucas semanas para começar a aplicar uma série de reformas e conseguir desbloquear uma ajuda europeia que evite uma suspensão dos pagamentos em março.

“Se o memorando for aplicado, com certeza salvará a Grécia da quebra”, afirma Miranda Xafa, diretora do gabinete assessor EF Consulting group. “Contudo, no momento, ninguém pode salvar a Grécia da recessão”, completa.

A maioria dos economistas reconhece que a doutrina de austeridade aplicada desde o resgate financeiro de 2010 por imposição da UE e do FMI não funcionou.

Os indicadores macroeconômicos falam por si só: no quarto trimestre de 2011, o PIB grego se contraiu 7% e as previsões para 2012 apontam uma recessão de -4 ou -5%, que significaria o quinto ano consecutivo de contração da atividade. Por sua vez, o desemprego supera 20%.

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Xafa critica ainda o “duplo déficit” da Grécia: orçamentário e de conta corrente. “O consumo privado e público deve baixar, e a produção deve aumentar, mas tudo isso não pode ser feito em um dia”.

“Se a Grécia aplicasse as reformas estruturais contempladas no primeiro memorando (em 2010), o país não estaria nessa situação”, disse a analista, mencionando a abertura à competência das profissões protegidas e a reforma do sistema de pensões.

“Houve cortes horizontais nas pensões, mas o sistema continua sendo muito injusto e não foi reformado. As pensões do setor público continuam sendo muito altas em comparação com as do privado”, explica.

Vasilis Monastiriotis, professor de economia política na London School of Economics (LSE), considera que as medidas do memorando “são muito unilaterais” e “levam a uma maior austeridade”.

“Reduzem os salários, mas também a confiança no investimento, por isso é muito difícil vislumbrar como poderia melhorar a situação”, acrescenta.

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