Repique no IGP-DI de março não deve se repetir em abril

Por Da Redação - 9 abr 2012, 14h00

Por Daniela Amorim

Rio de Janeiro – O repique na inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrado no mês de março não deve se repetir em abril, na avaliação do coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Salomão Quadros.

Boa parte do aumento nos preços verificados pelo IGP-DI em março se deveu à elevação de dois dígitos na soja (10,90% em março). Após uma alta tão pronunciada, o economista calcula que a elevação deva ser mais contida na próxima leitura.

“O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) teve influência muito destacada da soja. Toda vez que você tem influência muito grande de um produto, aquela alta não é tão sustentada assim”, explicou Quadros. O aumento de 0,55% do IPA puxou a alta de 0,56% no IGP-DI de março.

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“É difícil ter uma continuação da soja nesse ritmo. Como a soja teve esse impacto tão diferenciado dos outros, se ela normalizar um pouco, a taxa cede, mesmo que continue essa dinâmica agrícola com alguma recuperação e as commodities não continuem mais sua trajetória de queda. Esse efeito da soja foi tão mais importante que, havendo uma normalização, não deve haver destaque tão grande das matérias-primas no IPA”, analisou o economista.

Em abril, o aumento da soja verificado em março pode impactar ainda os preços das rações, que encareceriam carnes de aves e suínos, além de produtos derivados usados pelo consumidor, como margarina e óleo de soja.

Outra pressão que pode ser esperada é o reajuste de salários da mão-de-obra da construção civil. Em março, houve absorção de aumentos em Salvador e Porto Alegre, mas os reajustes do Rio de Janeiro ainda não foram concedidos.

Desaceleração

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Ainda que a expectativa para o IGP-DI seja de uma taxa mais baixa em abril do que a registrada em março, não há mais muito espaço para uma redução na inflação acumulada em 12 meses, segundo Quadros. “Mesmo que o IGP-DI venha um pouco mais baixo, acho que estamos começando a chegar no limite do ciclo de desaceleração. E o fim do ciclo vem da sinalização de que as commodities não estão mais em uma trajetória de queda, não só as agrícolas, mas também o minério de ferro e o petróleo”.

O economista lembrou que há um movimento de retomada da economia mundial, o que traz possibilidade de valorização das commodities. “Na primeira sinalização de uma situação mais favorável, as commodities reagem, porque os reajustes são mais ágeis do que os dos outros produtos”, lembrou.

Quadros avalia que nos próximos meses deve haver uma recuperação gradual na inflação em 12 meses, porque as taxas do IGP-DI nas próximas leituras não devem ser menores do que as registradas no ano passado. No entanto, ele considera que não há motivos para preocupações quanto a pressões inflacionárias mais fortes. “A taxa desacelerou, mas num patamar bastante confortável. Não há nada que esteja representando uma ameaça”, disse.

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