Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Rentabilidade de novas concessões pode decepcionar

Retornos de 5% a 6,5% ao ano não atende expectativas de investidores estrangeiros, segundo analistas

Por Da Redação 19 ago 2012, 16h05

O governo vai calibrar os pedágios das rodovias e ferrovias incluídos no pacote de concessões de tal forma que os consórcios que vencerem os leilões tenham taxa de retorno de cerca de 5% ao ano, no caso das rodovias, e de 6,5%, em ferrovias. Esses são os parâmetros usados pelos técnicos que formatam os editais de licitação e, segundo especialistas, podem frustrar investidores locais e estrangeiros, acostumados a taxas mais elevadas.

“Somos um país sem inflação, que tem crédito, sem problemas em balanço de pagamentos”, listou um interlocutor da presidente Dilma Rousseff. Por isso, o governo quer pagar aos consórcios taxas de retorno menores.

O baixo potencial de ganho das concessionárias tem sido criticado nos bastidores, mas o governo não se impressiona. “Na hora do leilão, o que temos visto são deságios na casa dos 30%.” Ou seja, as empresas reclamam, mas, na hora de disputar a concessão, acabam concordando com ganhos até mais baixos que os propostos no edital. Isso porque, segundo o interlocutor, os concessionários fazem estudos que preveem demanda maior que a estimada pelo governo.

Leia mais:

Brasil precisa investir R$ 100 bi ao ano em infraestrutura

A taxa de retorno das ferrovias, de 6,5%, ainda pode ser considerada atrativa para investidores, diz o economista-chefe da MCM Consultores Associados, Claudio Adilson. “O ideal é que o retorno do investimento fique entre 6% e 8% em termos reais. Senão, continuará sendo mais atrativo investir em papéis como NTN-B, que têm retorno real de 4% sem riscos.”

Segundo o economista, se as taxas de retorno chegarem a, no máximo 6%, caso das rodovias, podem frustrar a expectativa no programa de concessões. “Há interesse aqui e lá fora, mas esse interesse não vinha se concretizando porque o governo tinha restrições para entregar projetos ao setor privado e, quando o fez, foi de modo envergonhado, com condições inviáveis.”

Relatório de analistas do Credit Suisse afirma que, se as taxas de retorno ficarem entre 6% e 6,5%, é possível que os negócios não interessem às empresas de infraestrutura de capital aberto.

(Com Agência Estado)

Continua após a publicidade
Publicidade