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Renovação dos canaviais trará resultados só em 2015

Por Da Redação 6 out 2011, 08h00

Por Gustavo Porto, correspondente

Ribeirão Preto – A retomada da renovação dos canaviais num ritmo de 20% ao ano no Centro-Sul só deve trazer produtividade nos níveis de 2008 daqui a três anos. Até lá, a oferta de matéria-prima pode até cair, já que a área a ser renovada demorará a produzir. De acordo com representantes das usinas e destilarias, a necessária renovação das plantas depende de crédito e de um esforço de fornecedores de cana para aportarem novos investimentos na cultura. Nos últimos três anos, com as crises de liquidez e dos preços para açúcar e etanol, bem como os problemas climáticos, a renovação ficou abaixo do normal, o que trouxe o envelhecimento das lavouras e a perda de produtividade.

Dados do setor apontam que 59% dos canaviais eram considerados jovens em 2008, ou seja, estavam até o terceiro ou quarto cortes, e tinham uma produtividade média de 90 toneladas de cana por hectare. Sem a renovação necessária, o porcentual de cana jovem caiu para 45%, com uma produtividade média de apenas 68 t/ha na atual 2011/2012 e deve chegar a 41% em 2012.

“Se renovarmos, em média, 15% ao ano e houver uma expansão de 4%, voltaremos a ter, em 2015/2016, um índice de 44% de canavial jovem, com alta produtividade e uma média de 80 t/ha”, avaliou Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Canaplan Consultoria. “Isso vai depender de investimentos e de crédito. E esse crédito de plantio criado pelo governo terá uma importância absurda”, completou. No Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, o governo criou uma linha de financiamento para a renovação ou expansão de canaviais de até R$ 1 milhão por produtor, com prazo de pagamento de cinco anos, com 18 meses de carência. O governo avalia ainda uma linha específica para as usinas renovarem suas lavouras próprias, que pode chegar a R$ 50 milhões por companhia.

Cassio Paggiaro, diretor de produção agrícola da Raízen, ainda tem dúvidas se realmente o ritmo de renovação será forte a partir de 2012. “É muito relativo se haverá uma recuperação rápida, pois essa é uma decisão individual e depende de dinheiro; por isso é preciso um plano adequado para que o governo nos ajude”, disse o executivo. Segundo ele, a Raízen irá renovar 100 mil hectares de cana em 2012, ou 20% do total de sua área. “Vamos manter isso nos anos seguintes”, explicou Paggiaro.

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Fornecedores

Para Jaime Stupiello, diretor de produção agrícola da Guarani, a renovação depende das condições financeiras e da vontade dos fornecedores independentes. “Quando o preço está bom, o fornecedor não renova e, quando está ruim, não tem dinheiro”, disse o diretor. Ele conta que a companhia irá renovar 15% dos canaviais em 2012, por já ter feito um processo de plantio anteriormente.

Eduardo Scandiuzzi, diretor de produção agrícola na região Sudeste do Grupo Carlos Lyra, avalia que mais de 60% do canavial utilizado pela companhia na região do Triângulo Mineiro está acima do quarto corte, ou seja, já em processo de perda de produtividade pelo envelhecimento. Segundo ele, por ter áreas de expansão para plantios novos, a empresa irá renovar apenas 10% de suas lavouras. Já para os fornecedores, a renovação deve ser mínima, segundo o executivo. “Fornecedor de cana vem de dívidas anteriores e não vai reformar na velocidade que deveria”, disse.

Já o diretor de originação de matéria-prima da Louis Dreyfus Commodities, Walter Becker, afirma que o grupo sucroalcooleiro recebe de fornecedores cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra, ou seja, quase metade do processamento anual da companhia. “Conversamos com os fornecedores e parece que ninguém quer plantar”, lamentou.

Grande fornecedor de cana nas regiões de Ribeirão Preto (SP) e em Minas Gerais, o produtor Paulo Rodrigues, executivo do Condomínio Santa Isabel, admite que a melhoria recente dos preços da cana faz com que a reforma prioritária não seja nas lavouras. “Agora estamos na perspectiva de reformar o caixa da empresa”, disse.

Além da falta de renovação e dos problemas climáticos, Rodrigues cita ainda a introdução maciça do plantio e da colheita mecanizados de cana como outros fatores para a redução na produtividade. “O aprendizado traz um problema ambiental e a natureza cobra um pedágio para passar de um ponto para o outro, que é a redução da produtividade”, disse, referindo-se ao fato de que até que haja o domínio completo do processo de mecanização há perdas de produtividade.

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