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Relator rejeita mudanças e acelera votação do fim da 6×1 às vésperas da eleição

Aziz preserva texto aprovado pela Câmara, derruba 12 emendas e abre caminho para o Senado decidir uma das principais bandeiras eleitorais de Lula na última semana de votações antes do primeiro turno

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 14h04
Relator rejeita mudanças e acelera votação do fim da 6×1 às vésperas da eleição Priorizar nos meus resultados Google

O calendário eleitoral apertou o Congresso e Omar Aziz resolveu não perder tempo. Nesta quinta-feira, o senador do PSD do Amazonas protocolou seu relatório sobre a PEC que acaba com a escala 6×1 e escolheu o caminho mais curto para levá-la à votação: manteve sem uma vírgula de alteração o texto aprovado pela Câmara e rejeitou as doze emendas que haviam sido apresentadas até então. A proposta está agora oficialmente pronta para entrar na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

A decisão de Aziz tem um efeito político que vai muito além da jornada de trabalho. Ao preservar integralmente o texto dos deputados, o relator tenta impedir que a PEC tenha de voltar à Câmara e oferece ao governo Lula uma chance de promulgar uma de suas principais vitrines eleitorais ainda antes de outubro. O Congresso terá entre 31 de agosto e 4 de setembro seu último esforço concentrado antes das eleições, e Davi Alcolumbre já incluiu o fim da 6×1 entre as matérias que pretende deliberar nesse intervalo. É uma corrida contra o relógio e, para o Planalto, contra as urnas.

O parecer de Aziz avaliza uma mudança profunda na organização do trabalho brasileiro. A jornada constitucional máxima cairá das atuais 44 para 42 horas semanais dois meses depois da promulgação. Um ano após o fim desse primeiro período de transição, chegará definitivamente a 40 horas. O trabalhador passará ainda a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução de salário. A Câmara aprovou o modelo por margens esmagadoras: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

Foi justamente nos detalhes da implantação que se concentrou a reação no Senado. Entre as emendas descartadas por Aziz estavam tentativas de ampliar o espaço das negociações coletivas, criar mecanismos de desoneração parcial da folha e permitir contratos individuais com remuneração por hora. Outras buscavam amortecer os efeitos da nova regra sobre contratos públicos. No relatório, o senador reconhece preocupações empresariais, mas conclui que nenhuma delas justificaria mexer no acordo costurado pela Câmara.

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A opção deixa o governo em posição confortável. Lula transformou o fim da 6×1 em uma de suas bandeiras na disputa pela reeleição, enquanto adversários tentam defender modelos mais flexíveis de contratação e negociação da jornada. A própria velocidade da tramitação revela o peso eleitoral do tema: a PEC ficou meses parada no Senado, chegou à CCJ apenas na sexta-feira passada e, menos de uma semana depois, já tem parecer pronto. O movimento ganhou força após a reaproximação de Lula com Alcolumbre e o acordo fechado nesta quarta-feira entre o presidente da República e os presidentes da Câmara e do Senado para destravar uma pequena coleção de pautas antes que o Congresso esvazie para a campanha.

A batalha, porém, ainda não acabou. Nesta própria quinta-feira, depois da elaboração do parecer que analisava as primeiras doze emendas, o sistema do Senado registrou outras duas sugestões de mudança, ambas apresentadas por Vanderlan Cardoso. Uma delas pretende escrever na Constituição que convenções e acordos coletivos prevaleçam sobre a lei durante sua vigência. A outra cria a possibilidade de contratação em jornada flexível, com salário por hora e acordo individual escrito. Como chegaram depois do relatório originalmente protocolado, ainda não estão contempladas no voto de Aziz.

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É aí que a próxima semana ganha contornos decisivos. O Planalto precisa manter intacto o texto da Câmara, atravessar a CCJ e reunir pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário sem deixar que nenhuma mudança obrigue a PEC a retornar aos deputados. Depois de 38 anos com o teto constitucional de 44 horas, o Brasil pode alterar sua jornada de trabalho em poucos dias. Não porque a discussão tenha se encerrado, mas porque a campanha eleitoral decidiu que o Congresso já não dispõe de meses para fazê-la.

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