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Reino Unido também vai investigar o Goldman Sachs

O Reino Unido vai investigar as operações do Goldman Sachs no país. O anúncio foi feito pela Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês) nesta segunda-feira. A medida surgiu depois que o órgão regulador do mercado financeiro norte-americano, a Securities and Exchange Commission (SEC), acusou o banco de fraudes junto a investidores logo no início da crise financeira nos Estados Unidos.

As investigações nos Estados Unidos começaram na sexta-feira, quando a SEC anunciou a abertura de um processo contra o banco. A suspeita é de que a instituição financeira e um de seus vice-presidentes fraudaram investidores, com declarações falsas e omissão de fatos sobre um produto financeiro ligado a hipotecas subprime – empréstimos imobiliários com alto risco de calote.

A SEC explicou que o banco estruturou e comercializou produtos lastreados em hipotecas subprime, sem avisar aos clientes que eles estariam investindo em um ativo de alto risco. Paralelamente a isso, o banco oferecia um outro produto que apostava na queda destes títulos. Ou seja, a instituição oferecia um produto financeiro de risco a seus clientes e, ao mesmo tempo, apostava na queda deste ativo. “O produto era novo e complexo, mas a fraude e os conflitos (de interesse) são velhos e simples”, disse Roberto Khuzami, diretor da divisão de aplicação de normas da SEC.

“Caso haja ligações entre as fraudes nos Estados Unidos e as operações do banco no Reino Unido, tomaremos a ação apropriada. Trabalhamos com os reguladores do exterior e iremos cooperar totalmente com a investigação do SEC”, afirmou em nota o FSA.

Acusações favorecem reforma financeira – As acusações de fraude contra o Goldman Sachs acentuam a possibilidade de aprovação da proposta de reforma financeira no Congresso, disse o deputado democrata na Câmara Barney Frank.

Em entrevista concedida para a rede de TV CNBC, Frank afirmou que as acusações servem para impulsionar o sentimento político para a aprovação da lei, “embora, deva dizer, que acredito que as chances são boas de qualquer maneira”. Frank, que preside o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, disse não prever que a proposta encontre oposição de todos os republicanos no Senado, onde deve ser apresentada esta semana.

Frank negou que o momento do anúncio das acusações pela SEC teve motivação política e argumentou que também os investidores ricos e sofisticados precisam de proteção. “Eles precisam de proteção. Mesmo que não se tenha muita simpatia por eles…eles estão jogando com o dinheiro de outras pessoas. E o impacto social de seus erros pode ser muito grande”, acrescentou.