Reforma tributária tira sono de empresários e vira preocupação para o pós-eleição
Executivos do varejo ao setor automotivo relatam apreensão com indefinições, enquanto Congresso já mira a ressaca econômica depois das urnas
Brasília está esvaziada pela campanha eleitoral, mas cresce entre empresários e parlamentares a preocupação com a conta que ficará para depois das urnas. Executivos ouvidos pelo Radar Econômico nos últimos dias, do varejo ao setor automotivo, dizem que a demora na regulamentação da reforma tributária está tirando o sono de companhias que já precisam planejar 2027.
A apreensão passa por pontos centrais ainda sem definição, como o split payment, o Imposto Seletivo e as alíquotas que incidirão sobre diferentes setores. Empresários relatam que o grau de incerteza começa a pesar sobre decisões de investimento, contratos e orçamento para o próximo ano.
No Congresso, o diagnóstico é parecido. “O governo tem que sair do palanque e sinalizar algum rumo. A reforma tributária está à deriva, sem definição do split payment, do Imposto Seletivo ou sobre as alíquotas. O empreendedor está no escuro”, diz o deputado Danilo Forte (PP-CE).
Forte afirma ainda que a falta de previsibilidade pode ampliar a informalidade, a sonegação e o espaço ocupado pelo crime organizado na economia. “Aqui no Ceará nós já temos dois impostos informais: o ‘IPCC’, do PCC, e o IPCV, do Comando Vermelho”, diz.
A tensão com a reforma se soma à deterioração do quadro fiscal e à sequência de recuperações judiciais de grandes empresas noticiadas nas últimas semanas. O temor em Brasília e no setor privado é que, passada a eleição, o governo encontre pouco tempo para organizar uma agenda econômica que devolva previsibilidade às empresas.







