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Redução de custos da Raízen foi mais rápida

Por Filipe Domingues

São Paulo – A redução de custos se materializou mais rapidamente do que o esperado e deve continuar crescendo para a Raízen, afirmaram hoje diretores do grupo brasileiro de etanol Cosan. A Raízen é a joint venture formada neste ano entre a Cosan e a Royal Dutch Shell. “O que esperávamos capturar em dois anos capturamos em seis meses”, disse o gerente de relações com investidores da Cosan, Guilherme Machado, durante uma apresentação para analistas financeiros.

Ele destacou números dos últimos resultados trimestrais da Cosan, nos quais o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do segmento de combustíveis da Raízen totalizou R$ 55,7 (US$ 31,01) por 1 mil litros de combustível vendido, o que representa elevação de 73% sobre o ano anterior. “Em termos de sinergias, esperamos extrair ainda mais valor daqui para a frente”, declarou o diretor financeiro da Cosan, Marcelo Martins.

A Raízen é a maior produtora de açúcar e etanol do Brasil, com 24 usinas de açúcar da Cosan que distribuem combustíveis, inclusive etanol, gasolina e diesel, por meio de 4,6 mil postos no País. A maioria das bombas pertence à Shell, mas aproximadamente 1,7 mil delas vieram da marca Esso, que a Cosan comprou da Exxon Mobil Corp em 2008.

Embora as sinergias tenham ocorrido antes do previsto, o plano original de expansão da Raízen está começando a parecer ambicioso demais, em meio à desaceleração da produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, segundo Martins. Oficialmente, a Raízen espera investir até US$ 7 bilhões para expandir a capacidade de suas usinas para 100 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, ante os 65 milhões de toneladas atuais.

Mas a companhia processou apenas cerca de 53 milhões de toneladas de cana na temporada 2011/12, praticamente encerrada. Embora a Raízen ainda não tenha revisado sua perspectiva de investimento, Martins acredita que a companhia deve reduzir sua meta de capacidade de processamento por volta de março.

Alimentos

A Cosan também está explorando formas de obter mais de suas unidades de alimentos, a Cosan Alimentos, que produzem e vendem produtos principalmente sob a marca União e respondem por cerca de 4% da receita geral. “Nossa meta de longo prazo é nos tornarmos, por meio da Cosan Alimentos, parte de uma companhia integrada de alimentos que não está apenas restrita ao açúcar e que nos permite um melhor aproveitamento de nossa estratégia e rede logística”, acrescentou Martins.

Preços

A Cosan está efetivamente apostando que os preços do açúcar subirão no ano que vem e está fazendo hedge de sua produção futura de forma menos agressiva do que no passado. Até o momento, a companhia fez hedge de 25% da produção esperada para 2012/2013, ante os 30% dos anos anteriores. “Temos feito menos hedge, nos expondo um pouco mais aos preços do açúcar, para poder capturar momentos de alta dos preços”, disse Machado, explicando que os riscos da volatilidade das cotações do açúcar diminuíram por causa do portfólio de negócios cada vez mais diversificado da Cosan. As informações são da Dow Jones.