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Redução das dívidas dos países será baixa, diz Tombini

Por Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes

Brasília – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, demonstrou pessimismo quanto à evolução dos indicadores de dívida das principais economias globais. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele exibiu projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) que revelam piora dos indicadores da dívida de grandes países, como Estados Unidos, Japão e Espanha. “Vai haver uma baixa redução do endividamento dessas economias nos próximos cinco anos”, disse Tombini.

O presidente do BC repetiu duas vezes que umas das maneiras mais eficientes de melhorar o endividamento de um país é com maior crescimento das economias. “As crises de dívida demoram para se resolver. O crescimento da economia é que resolve”, disse, ao comentar o efeito do aumento do denominador do indicador que mede o tamanho da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

“E temos uma situação fiscal de estresse. Com baixo crescimento, a capacidade de dissolver o tamanho da dívida é baixa. E isso toma tempo, por consequência”. “E olhando as perspectivas, não só o endividamento cresceu, mas também as projeções de crescimento das economias”, disse Tombini.

Apesar de defender o crescimento das economias, Tombini observa que mesmo com o uso “sem precedentes” da política econômica, “infelizmente, o crescimento sustentável não foi restabelecido”. “Pelo contrário, a perspectiva segue muito frágil para essas economias”, disse.

Contaminação

O presidente do Banco Central também chamou atenção para o risco potencial de contaminação do sistema financeiro pela atual crise. Ele disse que países com elevada relação entre a dívida e o PIB geram aumento do risco soberano, como observado em países europeus atualmente. Essa perda de confiança nas economias gera um “circulo vicioso”, disse.

Segundo ele, a contaminação acontece pelo canal financeiro. “Aos olhos do mercado, as carteiras perdem valor em função da elevada relação da dívida e o PIB. Isso gera contágio potencial em relação ao sistema financeiro”, explicou.

O risco financeiro, continuou, leva e consolida a perspectiva de menor crescimento econômico. “A gente já viu em relação ao Brasil que uma das melhores estratégias para reduzir o peso da dívida é crescer”, disse, ao repetir a defesa do crescimento da atividade como instrumento para melhorar os indicadores macroeconômicos de um País.

Reação

Tombini defendeu uma “resposta rápida” como reação à crise financeira. “A consequência da falta de uma solução rápida nós conhecemos muito bem aqui no Brasil. Temos de ter resposta rápida. Quanto mais demorar, maior é o custo. O custo de resolução acaba por elevar-se”, disse durante audiência no Senado.

Segundo Tombini, há pouco espaço nas principais economias do mundo para aumento do gasto público como maneira de reagir à piora da crise. “Na política fiscal, há espaço reduzido para ampliar gastos. Muitas economias, inclusive, terão de reduzir os déficits porque muitos agentes vêm questionando a capacidade dos governos de se financiarem. E para restabelecer a confiança, precisa mostrar capacidade de pagamento”, disse.

Além disso, Tombini observou que grande parte dos países desenvolvidos segue com política de juros com taxas negativas. “E os instrumentos não tradicionais de política, como a compra de ativos soberanos, têm resultados ambíguos com a capacidade de restabelecer crescimento da economia com uma base mais sólida”.