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Redata encontra fila de mais de 56 GW por energia para data centers

EPE tenta separar projetos reais dos que podem não sair do papel; expansão já exige R$ 1,6 bilhão em novas obras de transmissão só em São Paulo

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 11h00
Redata encontra fila de mais de 56 GW por energia para data centers Priorize VEJA no Google

A sanção do Redata colocou combustível em uma corrida por data centers que começa a esbarrar em um recurso mais difícil de encontrar do que terrenos: energia disponível para conectar os novos empreendimentos.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, afirmou neste mês que já existem mais de 56 gigawatts (GW) em pedidos de acesso à rede feitos por projetos de data centers. O próprio executivo fez uma ressalva importante: uma parcela dessas iniciativas provavelmente não sairá do papel, e a estatal está procurando investidores para entender o grau de maturidade dos projetos antes de recomendar novas expansões da infraestrutura elétrica. 

A cifra mostra a velocidade com que o mapa mudou. Pouco mais de 60 dias depois da primeira versão do Redata, editada em setembro de 2025, a EPE havia registrado um salto de 19,8 GW para 26,2 GW apenas entre os projetos que protocolaram no Ministério de Minas e Energia pedidos de estudo para conexão à Rede Básica. Ou seja: naquele curto intervalo, surgiram 6,4 GW adicionais de demanda potencial.

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Agora transformado em lei, o Redata foi sancionado em 15 de setembro. O regime reduz a carga tributária sobre a compra e a importação de equipamentos de tecnologia utilizados nos centros de dados, incluindo a suspensão de PIS/Cofins, IPI e, em determinadas condições, Imposto de Importação. O objetivo é diminuir um dos custos que tornavam o Brasil menos competitivo para instalações voltadas a computação em nuvem, processamento de alto desempenho e inteligência artificial.

O incentivo tributário, porém, resolve apenas uma parte da equação.

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A corrida pela tomada

Grandes data centers são consumidores de eletricidade de escala industrial. E a velocidade de construção dessas instalações não necessariamente acompanha a expansão do sistema elétrico. Prado estima que uma grande unidade possa ser erguida em cerca de três anos, enquanto uma nova linha de transmissão pode levar aproximadamente cinco anos. É esse descompasso que começa a preocupar o planejamento do setor. 

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São Paulo, que concentra a maior parcela do mercado brasileiro, dá a dimensão do problema. A EPE já recomendou aproximadamente R$ 1,6 bilhão em novos investimentos de transmissão no estado para liberar cerca de 4 GW de margem para novas conexões. Outros estudos podem acrescentar mais 5 GW de capacidade. 

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E a pressão não está restrita ao estado. A estatal prepara estudos para viabilizar da ordem de 4 GW de novos projetos no Rio de Janeiro; analisa no Rio Grande do Sul empreendimento com demanda que pode chegar a 5 GW; e trabalha em soluções capazes de aumentar em outros 4 GW a capacidade de conexão de grandes cargas no Nordeste.

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Os números de pedidos de energia são muito maiores do que o mercado efetivamente em construção — justamente uma razão para a cautela da EPE. Levantamento da consultoria imobiliária JLL aponta atualmente 660 MW de data centers em construção no país, capazes de atrair cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos, além de outros 4.621 MW no pipeline. A taxa de vacância nacional está em apenas 4%, e 56% do estoque novo em construção já havia sido pré-locado. 

Energia limpa também entra na conta

O próprio desenho do Redata transforma a disponibilidade de energia em peça central da escolha de onde construir. Para usufruir do regime, o data center terá de atender 100% de sua demanda elétrica com contratos de suprimento ou autoprodução provenientes de fontes renováveis ou de baixa emissão. A lei também estabelece limite de eficiência hídrica e obriga investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Parte dos detalhes ainda é remetida a regulamentação.

Há ainda uma exigência de que pelo menos 10% da capacidade beneficiada seja destinada ao mercado brasileiro — obrigação que pode ser substituída, nos termos previstos pela lei e sua regulamentação, por investimentos adicionais em pesquisa e desenvolvimento

O resultado é uma mudança na lógica da disputa imobiliária que acompanha o boom dos data centers. Não basta mais ter uma grande área disponível. O endereço valioso é aquele que combina terreno, fibra óptica e, principalmente, megawatts que possam efetivamente chegar ao empreendimento.

Com o Redata reduzindo a barreira tributária para os equipamentos, é justamente essa disputa pela tomada que tende a definir quais dos dezenas de gigawatts hoje apresentados ao sistema elétrico virarão data centers de verdade.

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