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Recuperações judiciais disparam no agro e cenário deve piorar em 2027, apontam consultorias

Levantamento contabiliza 1.263 produtores rurais em recuperação judicial, com avanço dos processos entre negócios de menor porte

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 11h33 | Atualizado em 5 ago 2026, 11h53
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O número de produtores rurais em recuperação judicial avançou 66% em um ano no Brasil e chegou a 1. 263 CNPJs ao fim do primeiro semestre de 2026. Na comparação com dezembro de 2025, a alta foi de 21,4%. Os dados fazem parte do Monitor RGF-Bizdoc, levantamento produzido pelas consultorias RGF e Bizdoc.

A edição mais recente do estudo ampliou o universo analisado ao incorporar os microprodutores rurais. A mudança contribui para explicar o salto em relação aos 539 processos contabilizados no levantamento referente ao primeiro trimestre.

Para o Monitor, o agronegócio é o principal foco do atual ciclo de insolvência brasileiro. O problema não se limita às propriedades rurais. Considerando também fornecedores de insumos, agroindústrias e empresas de comercialização, são 1. 575 CNPJs em recuperação judicial.

“Somando a cadeia de insumos, agroindústria e comercialização, o total chega a 1. 575 CNPJs, cerca de 20% de todo o estoque de recuperações judiciais do país”, afirma Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF e da Bizdoc e coordenador do Monitor.

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A soja responde pela maior parcela dos casos entre as atividades desenvolvidas dentro das propriedades. Ao fim de junho, 589 produtores da cultura estavam em recuperação judicial. O número equivale a pouco menos da metade do total e representa avanço de 26,7% desde o encerramento de 2025, além de ficar próximo do dobro do observado um ano antes.

Nos primeiros seis meses deste ano, 124 sojicultores ingressaram em recuperação judicial. De acordo com Damasceno, o quadro reflete duas safras comercializadas abaixo do custo, o acúmulo de dívidas e a falta de lucro no ciclo 2025/26 que pudesse ser utilizado para amortizar os débitos.

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Outras atividades também apresentaram deterioração. A pecuária de corte ocupa a segunda posição entre as cadeias produtivas do setor e registrou 19 recuperações judiciais no período. Em relação a dezembro de 2025, o estoque de casos cresceu 53,8% no arroz, 45,2% no milho e 44,4% no café. Entre os produtores de leite, a alta chegou a 257%, para 50 processos.

“As causas são diferentes para cada cultura, mas há uma regra padrão: o que estamos colhendo resulta de algo que aconteceu seis meses, um ano ou até dois anos antes”, diz o coordenador do Monitor.

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Os efeitos do endividamento no campo já alcançam empresas que dependem dos produtores para seus negócios. Houve crescimento das recuperações judiciais em quase todos os segmentos ligados à cadeia fora das propriedades, entre eles revendas de insumos, fabricantes de rações, concessionárias de máquinas agrícolas, usinas, laticínios, frigoríficos de bovinos e comercializadoras de grãos e café.

A concentração geográfica dos casos é praticamente dividida entre duas das principais regiões produtoras do país. O Sul reúne 392 recuperações judiciais, enquanto o Centro-Oeste soma 391. Rio Grande do Sul e Mato Grosso são os principais responsáveis pelos respectivos resultados. Na comparação entre os estados, Mato Grosso lidera, com 196 CNPJs, apenas dois a mais que os 194 registrados no Rio Grande do Sul.

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O levantamento também identifica uma disseminação mais acelerada do instrumento entre produtores menores. Das 874 recuperações judiciais ativas envolvendo produtores de micro, pequeno e médio porte, que podem atuar tanto com CNPJ quanto como pessoa física, 54% são de microempresários. Os pequenos representam 26% e os médios, 20%.

A evolução desde 2023 mostra a dimensão do movimento. Em comparação com o primeiro trimestre daquele ano, o estoque de recuperações judiciais entre microempresas do agronegócio aumentou dez vezes. Entre as pequenas, o volume se multiplicou por quase nove.

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A tendência, segundo o especialista, é de deterioração adicional. Damasceno avalia que “o pior dos pedidos de recuperação judicial ainda está por vir”, com maior pressão no segundo semestre deste ano e em 2027. A previsão considera os efeitos das margens de lucro apertadas nas safras 2024/25 e 2025/26.

Além dos problemas acumulados nas últimas safras, fatores externos podem aumentar os custos de produção. O comprometimento da navegação pelo Estreito de Ormuz em meio ao conflito no Oriente Médio adiciona pressão ao cenário, já que a região é uma importante origem dos fertilizantes utilizados pelo setor.

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