Recuperação judicial da OGX repercute no exterior

Derrocada da empresa de Eike ganha as páginas dos principais jornais do mundo, que destacam a "triste" história do empresário brasileiro

Por Da Redação - 30 out 2013, 20h39

A notícia de que a petrolífera OGX de Eike Batista entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira repercutiu na mídia internacional. A derrocada do império X é descrita pelo jornal britânico Financial Times como “uma história triste”. A publicação destaca que, segundo o diretor do fundo Deltec Asset Management de Nova York, Arthur Byrnes, o empresário brasileiro seria “o tipo de pessoa que poderia fazer coisas boas para o Brasil em termos de infraestrutura e concorrência no setor privado. Em vez disso, tudo explodiu”.

Já o americano Wall Street Journal apresenta uma declaração do advogado da OGX, Sergio Bermudes, em que ele diz acreditar na recuperação da companhia e que ela pode resolver todos os seus problemas financeiros. “Esta empresa tem muitos recursos e pode formar parcerias com outras empresas”, garantiu ao periódico em uma entrevista por telefone. O WSJ ainda destaca que o grupo tem se esforçado para pagar os fornecedores, mas que ainda não está claro se ele tem dinheiro suficiente para começar a produzir no campo de Tubarão Martelo, localizado na Bacia de Campos.

O portal Business Insider inicia a matéria sobre o processo dizendo que a única coisa que pode ser dita sobre o brasileiro no momento é que ele saiu de cena com um grande desastre. Ele também enfatiza que Eike “passou um ano inteiro amargurando perdas” e vendo o seu patrimônio diminuir, apesar dos investimentos e “tentativas de acordo com credores para manter a empresa viva até abril”. Além disso, o portal ainda menciona a situação da OSX e seu “regime de venda de ativos”, buscando reduzir as despesas.

Leia ainda:

Publicidade

O passo a passo da recuperação judicial da OGX

OGX já perdeu 99% de seu valor de mercado

A Bloomberg destaca que ao longo de todo o processo de crise do empresário, mais de 30 bilhões de dólares foram perdidos e a OGX conseguiu atingir o pior desempenho entre as ações que correm na Bovespa, chegando a ter seus papéis avaliados em 17 centavos. A publicação também menciona a situação dos credores americanos e o preço que eles estão pagando pela derrocada da OGX. A Businessweek coloca esse episódio como “o último capítulo da morte de Eike enquanto garoto-propaganda do empreendedorismo brasileiro”.

Já o DealBook, blog de finanças do jornal The New York Times afirma que “o processo de recuperação pode ser longo e tortuoso”, citando que das 4 mil empresas que entraram em reestruturação desde que o recurso foi criado, em 2005, “apenas 1% deixaram com sucesso a supervisão do tribunal de falência”. A publicação ainda critica a justiça lenta do Brasil, “onde processos podem se arrastar por anos”.

Publicidade

Leia também:

Conselho ainda não decidiu sobre recuperação judicial, diz OGX

OGX: com recuperação judicial, ações param de circular

Publicidade