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Recorde: Apple emite US$ 17 bilhões em títulos de dívida corporativa

Empresa foi em busca de financiamento para cumprir o programa de recompra de ações e para distribuir bônus aos acionistas

A Apple usou o seu prestígio, a confiança em seu negócio e o desejo dos investidores para anunciar a emissão de 17 bilhões de dólares em dívida corporativa nesta terça-feira, segundo o jornal Wall Street Journal. Isso significa que a empresa criada por Steve Jobs foi em busca de interessados em financiar a companhia. Em troca, a Apple pagará juros para quem comprar os títulos emitidos pela empresa – os bancos Goldman Sachs e Deutsche Bank, que estão coordenando o processo, ainda não informaram os detalhes da operação. O que se sabe até agora é que o montante será um recorde para empresas americanas com alto grau de investimento – companhias que, de acordo com agências de classificação de risco, praticamente não têm chance de dar calote.

Mas por que a Apple está em busca de um robusto empréstimo? O dinheiro será usado para ajudar a pagar o programa de recompra de ações, que está sendo pela própria empresa, e para aumentar os dividendos distribuídos aos acionistas – a Apple planeja distribuir aos acionistas 100 bilhões de dólares até 2015, o que não exclui a possibilidade de novas emissões de dívidas.

Mais importante, porém, são os motivos para a emissão da dívida. Apesar de a companhia ter um caixa robusto, a maior parte do dinheiro está fora dos Estados Unidos. Segundo informações de especialistas, a emissão de dívida seria uma maneira mais barata de a Apple fugir do pagamento de impostos para trazer o dinheiro do exterior para os EUA. Esse movimento de repatriamento de recursos somado aos impostos pagos na distribuição aos acionistas teriam um custo muito maior do que os juros pagos pelo empréstimo a investidores.

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Na última segunda-feira, a empresa havia enviado para a Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA) os documentos necessários para a venda dos bônus. A analistas de Wall Street especulavam que a emissão poderia chegar a 20 bilhões de dólares com condições de financiamento melhores do que as de outras empresas de tecnologia, já que a Apple ainda não tem dívidas no mercado.

Antes da emissão da Apple, a maior venda de títulos corporativos feitos por uma companhia americana com um dos mais altos grau de investimento tinha sido o da farmacêutica Roche Holdings, que conseguiu 16,5 bilhões de dólares em fevereiro de 2009. O segundo maior até então tinha sido também de uma farmacêutica, a AbbVie, de 14,7 bilhões de dólares, em novembro de 2012.

(Com Estadão Conteúdo)