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Rebaixamento da nota de crédito do Brasil não teve grande impacto, diz Tombini

Segundo o presidente do BC, não reação dos mercados foi amena porque o corte anunciado pela agência Fitch já era esperado

Por Da Redação 17 dez 2015, 12h46

Menos de 24 horas depois de a agência de classificação de risco Fitch tirar do Brasil seu selo de bom pagador, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o primeiro impacto da decisão na evolução dos fluxos de capitais para o país tem sido recebido com um “muita tranquilidade” pelos mercados.”Essas coisas não aconteceram da noite para o dia. Havia um sentimento que isso poderia acontecer”, disse. “Os mercados já estavam se preparando para esse possibilidade.”

Pela primeira vez, o presidente do BC admitiu que a perda do grau de investimento pela segunda agência já era esperada. Ele informou que o BC está monitorando em tempo real a movimentação dos fluxos de capitais. As declarações foram feitas em encontro com jornalistas nesta quinta-feira, na sede do BC.

Segundo Tombini, a desvalorização do real de mais de 30% tornou os investimentos mais baratos para estrangeiros e nacionais. Ele lembrou que a entrada líquida de dólares está em 10 bilhões de dólares no país neste ano, o que é positivo nas atuais circunstâncias. “Não estamos vendo um grande impacto”, disse Tombini. Ele ressaltou que a previsão de ingresso de investimento estrangeiro direto é de 65 bilhões de dólares.

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O presidente do BC admitiu pela primeira vez oficialmente que terá de escrever a carta aberta ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por deixar a inflação superar o teto de 6,5% este ano, o que descumpre as regras do sistema de meta de inflação. “O regime de metas vem sendo cumprido de 2011 e 2014, nos últimos quatro anos”, afirmou. Nesse documento, o BC precisa explicar as razões de a meta não ter sido atingida, mas medidas que serão tomadas e em que prazo isso se dará.

“Já adiantamos que o grande ajuste de preços relativos fez isso, e não há política monetária que compense choques dessa magnitude”, afirmou. As razões, portanto, que estarão na carta, de acordo com o presidente, estão relacionadas com esses choques (em especial administrados e câmbio).

Tombini lembrou que, até outubro, o horizonte para a convergência da inflação para a meta trabalhada pelo BC era 2016. Mas que depois disso passou a dizer que a convergência pra 4,5% passou a ser 2017. “É isso o que vamos perseguir”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

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