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Real lidera desvalorização ante o dólar entre os emergentes

Além do cenário externo, condições atuais da economia brasileira contribuem para a escalada da moeda norte-americana em agosto

Por Da Redação - 20 ago 2013, 09h17

O real foi a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar em agosto entre os países emergentes, segundo levantamento da Agência Estado. Entre os dias 1º e 19 deste mês, a moeda brasileira recuou 5,97% ante o dólar americano, seguido pela rupia, a moeda da Índia (-4,12%).

Na sessão de segunda-feira, o dólar fechou cotado a 2,41 reais após ter batido 2,42 reais e o Banco Central ter entrado no mercado de câmbio com três leilões de swap (equivalente à venda de dólares no mercado futuro).

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Depois do fracasso na tentativa de conter a escalada do dólar na sessão de segunda-feira, o BC anunciou leilão no mercado à vista nesta terça. A medida equivale à venda de dólares no mercado spot e ao compromisso de recompra no mercado futuro. O leilão está marcado para às 11h15, com lote de 4 bilhões de dólares.

Segundo a sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, entre os países emergentes, o real liderou o ranking das moedas que mais perderam valor em agosto porque, além da tendência mundial de valorização do dólar, impulsionada pela recuperação dos Estados Unidos, as expectativas em relação ao Brasil pioraram. “A festa terminou e agora estamos pagando a conta, com impactos na política macroeconômica e na política fiscal”, afirma.

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Projeções – A economista não descarta a hipótese de que o dólar atinja 2,70 reais nos próximos meses. Se essa alta se concretizar, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode atingir 6,3% este ano, muito próximo do teto da meta de inflação, que é 6,5%, calcula Alessandra. Em 12 meses até julho o IPCA já subiu 6,27%.

De toda forma, a consultoria ainda não reviu para cima a projeção de inflação, que é de 5,7%, levando em conta o câmbio de 2,25 reais. “O cenário para o câmbio não está claro. Há muitas incertezas”, pondera.

Elson Teles, economista do Itaú Unibanco, por enquanto não revisou a projeção de inflação para este ano de 5,9%. Mas acredita que, se for incorporada a depreciação do real, o viés será de alta e a inflação pode passar de 6% este ano. “O que pode mitigar a alta do câmbio no IPCA é a queda dos preços das commodities e a desaceleração da demanda, que inibe os repasses de custos para os preços ao consumidor.” Apesar da pressão de preços, ele acredita, no entanto, que o risco de estourar o teto da meta este ano é baixo.

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A GO Associados reduziu a estimativa de inflação deste ano de 5,7% para 5,3% por causa do resultado favorável do IPCA registrado em julho (0,03%). Mas, segundo o diretor de pesquisa econômica, Fabio Silveira, a projeção de inflação para este ano deve ser revisada para cima, algo em torno de 5,5%. “O impacto da alta do dólar nos preços ao consumidor deverá ser sentido no fim do ano, entre outubro e novembro.”

(com Estadão Conteúdo)

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