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Reabertura das economias leva euforia aos mercados e derruba dólar

Movimento de baixa da moeda americana também levou em consideração a atuação do Banco Central com a injeção de 11 bilhões de dólares na economia

Por Da Redação - 8 jun 2020, 18h08

Dando sequência ao bom-humor do mercado na última semana, o dólar voltou a cair com robustez ante o real nesta segunda-feira, 8, renovando mínima em 12 semanas, em mais um dia de notável apetite por risco em todo o mundo diante de otimismo com a recuperação da economia global. A cotação da moeda americana oscilou negativamente em 2,66%, e encerrou o dia valendo 4,85 reais, menor patamar desde 13 de março. A expectativa com a reabertura das economias deu fôlego para os mercados globais. O movimento de baixa da moeda americana também levou em consideração a atuação do Banco Central com a injeção de 11 bilhões de dólares por meio de leilões. O número expressivo de criação de vagas de emprego nos Estados Unidos no mês passado e a melhora no ambiente político do país (pelo menos por enquanto) também permitiram a continuidade dos bons presságios, sinais também refletidos no mercado de ações.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em alta pelo sétimo pregão consecutivo nesta segunda-feira, 8, na maior sequência diária de ganhos em mais de dois anos, ainda embalado pelo ‘frenesi’ com a reabertura de economias, em um ambiente de ampla liquidez global, com a injeção de trilhões de dólares por parte das autoridades monetárias ao redor do mundo, e taxas de juros em mínimas recordes. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o pregão com acréscimo de 3,18%, a 97.644,67 pontos, fazendo o mercado sonhar com a retomada nos próximos dias do patamar psicológico dos 100 mil pontos. O volume financeiro somou 32,6 bilhões de reais neste pregão.

A última vez que o Ibovespa subiu sete ou mais pregões consecutivamente foi em fevereiro de 2018 — fechou em alta por nove pregões. Apesar da forte recuperação frente à mínima do ano de 61.690,53 pontos, em março, o índice segue distante da máxima histórica de 119.593 pontos apurada em janeiro. Para Paulo Bilyk, diretor de investimentos da Rio Bravo e sócio global da Fosun Hive, o cenário de juros muito baixos com elevada liquidez no mundo favorece compras, mas esse movimento também reflete o retorno na Ásia, Europa e Américas, incluindo em menor grau o Brasil, para um tipo de vida menos contido. Para ele, porém, não há queda no custo do dinheiro que justifique a bolsa valer o mesmo que valia antes de se saber que o PIB pode cair 7,5% em 2020. “Nós estamos no campo das expectativas emocionais”, afirmou.

“Há um frenesi frente à melhora no exterior, além da flexibilização (do confinamento) no Brasil e expectativa de mais um corte na Selic na semana que vem”, endossou o analista Ilan Albertman, da Ativa Investimentos, que também vê o nível de preço das ações descolado do quadro econômico vigente. Ele não descarta uma correção antes de o Ibovespa voltar a se aproximar dos 120 mil pontos, em particular no contexto de uma ruptura no processo de retomada das economias. Mas pondera que também poderá ser observada uma melhora progressiva dos fundamentos na direção de alcançar o patamar dos ativos.

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As ações da Azul e da Gol dispararam 29,25% e 28,29%, respectivamente, dando continuidade à recuperação após fortes quedas em razão da pandemia. Mais cedo, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou que um apoio ao setor aéreo continua sendo negociado com bancos. Ainda no setor de viagens, as ações da CVC valorizou-se 10,19%. O desempenho recente reduziu as perdas no ano desses papéis, que agora estão em 53,7%, 34,81% e 47,40%, respectivamente. Os papéis da Vale subiram 0,31%, mesmo após a Justiça do Trabalho determinar a suspensão das atividades no complexo de mineração de Itabira, formado por três minas, com os preços do minério de ferro mantendo alta na China. Nesse contexto, as siderúrgicas CSN e Usiminas, que também produzem minério, subiram 17,12% e 7,97%, respectivamente.

(Com Reuters)

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