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‘Queremos compartilhar conhecimento’, diz ministro de Ciência e Tecnologia de Taiwan

Cheng-Wen Wu detalha a estratégia de Taiwan para liderar a corrida tecnológica, de semicondutores à inteligência artificial

Por Ernesto Neves, de Taipé 31 jul 2026, 05h30
‘Queremos compartilhar conhecimento’, diz ministro de Ciência e Tecnologia de Taiwan Priorizar nos meus resultados Google

Nos últimos anos, Taiwan passou de fabricante de computadores a potência mundial em semicondutores. Como essa transformação foi possível? Há cerca de cinquenta anos, o governo de Taiwan decidiu investir em pesquisa e na fabricação de semicondutores. Compramos tecnologia, enviamos engenheiros ao exterior para realizar treinamentos e criamos parques tecnológicos próximos às universidades. Com o tempo, deixamos de apenas licenciar tecnologia para desenvolver soluções próprias. Hoje em dia, temos um ecossistema integrado, que reúne pesquisa, indústria e governo e se tornou a base da liderança de Taiwan.

Qual é a estratégia do país para liderar a corrida da inteligência artificial? Durante muito tempo produzimos hardware para empresas estrangeiras. Agora queremos oferecer uma solução completa. Quem vem a Taiwan encontra toda a cadeia necessária para construir infraestrutura de inteligência artificial, dos chips aos servidores e sistemas. Nossa meta é transformar o país em um centro global de soluções para IA, trabalhando em parceria com empresas como Nvidia, Google, Microsoft e Meta.

Qual é o papel das universidades nesse modelo bem-sucedido? Elas trabalham em estreita colaboração com a indústria. Os professores desenvolvem pesquisas voltadas para problemas reais das empresas e os estudantes participam desses projetos desde cedo. Isso acelera a inovação e forma profissionais preparados para ingressar rapidamente no mercado. É um modelo que fortalece tanto a pesquisa quanto a competitividade da indústria.

Taiwan enfrenta escassez de profissionais qualificados, assim como ocorre em muitos outros países, inclusive no Brasil? Esse é um dos nossos maiores desafios. A população está envelhecendo rapidamente e precisamos ampliar a formação de talentos. Por isso buscamos aumentar a colaboração internacional entre universidades, pesquisadores e empresas. Queremos compartilhar o nosso conhecimento e desenvolver tecnologias em parceria com outros países.

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Além dos semicondutores, quais serão as próximas apostas tecnológicas de Taiwan? Estamos investindo em fotônica de silício, que permitirá redes de comunicação mais rápidas e eficientes, em robótica baseada em inteligência artificial e em computação quântica. A ideia é combinar essas tecnologias com nossa liderança na fabricação de chips.

Como Taiwan equilibra o desenvolvimento da inteligência artificial com a soberania tecnológica e a segurança nacional? Construindo nossa própria infraestrutura de IA. Isso significa criar data centers em Taiwan, desenvolver modelos treinados com nossa língua, cultura e necessidades locais e garantir que dados sensíveis permaneçam no país. Também investimos em aplicações para a saúde e em tecnologias de defesa, porque a IA já é parte da segurança nacional. Ao mesmo tempo, avançamos na regulação para proteger direitos humanos, garantindo que a tecnologia beneficie a sociedade.

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A expansão da IA exige cada vez mais energia. Como o país pretende atender a essa demanda? É um desafio enorme. Estamos ampliando fontes renováveis, discutindo a retomada da energia nuclear e avaliando novas alternativas.

Muita gente teme que a IA destrua empregos. O senhor compartilha dessa preocupação? Algumas profissões certamente serão transformadas. A IA já consegue executar tarefas que antes exigiam muito tempo, como produzir textos ou organizar informações. A resposta não é resistir à tecnologia, mas preparar os trabalhadores para utilizá-la. Novas funções surgirão, principalmente em áreas nas quais o julgamento humano continua indispensável.

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Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28

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