Quem é a primeira latino-americana a chefiar a economia do FMI
Silvana Tenreyro assume em agosto um dos cargos mais influentes da economia mundial e será a segunda mulher a ocupar o posto
Desde a criação do posto, em 1946, nenhum dos doze economistas que passaram pelo cargo nasceu na América Latina. Tenreyro será também a segunda mulher a chegar à função. A primeira foi Gita Gopinath, nascida na Índia, que comandou o departamento entre 2019 e 2022.
Aos 52 anos, a nova economista-chefe nasceu em San Miguel de Tucumán, no norte da Argentina. Formou-se em Economia pela Universidade Nacional de Tucumán e depois seguiu para os Estados Unidos, onde concluiu o mestrado e o doutorado em Economia pela Universidade Harvard.
Tenreyro construiu a maior parte da carreira fora de seu país natal. Desde 2004, é professora da London School of Economics (LSE), uma das mais prestigiadas universidades do mundo na área. Também trabalhou no Federal Reserve de Boston e integrou, entre 2017 e 2023, o Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, responsável pelas decisões sobre os juros britânicos.
A nomeação carrega um simbolismo particular para a Argentina, país cuja história econômica recente é marcada por uma relação longa e conturbada com o FMI. O país recorreu sucessivas vezes à instituição em momentos de crise e permanece como seu maior devedor. Agora, uma economista nascida e formada em uma universidade pública argentina passará a ocupar o principal posto intelectual do Fundo.
O que faz a economista-chefe do FMI?
Formalmente, Tenreyro será conselheira econômica e diretora do Departamento de Pesquisa. Na prática, ocupará um dos postos mais influentes da economia internacional.
A economista-chefe assessora diretamente a direção do FMI e comanda a área responsável pelas principais análises da instituição sobre crescimento, inflação, juros, comércio e riscos para a economia mundial. O departamento também produz o Perspectivas da Economia Mundial, conhecido pela sigla em inglês WEO, relatório cujas projeções são acompanhadas por governos, bancos centrais e investidores.
Ao anunciar a escolha, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacou a combinação entre a trajetória acadêmica e a experiência de Tenreyro na formulação de políticas econômicas.
“Em um momento de profunda transformação e crescente incerteza na economia global, a combinação de liderança intelectual e experiência em políticas de Silvana ajudará a garantir que o trabalho analítico do Fundo, a supervisão multilateral e o aconselhamento de políticas permaneçam na vanguarda em apoio aos nossos países-membros”, afirmou.
A carreira de Tenreyro é concentrada em temas como política monetária, inflação, volatilidade econômica e uniões monetárias. Além da passagem pelo Banco da Inglaterra, ela foi integrante externa do Comitê de Política Monetária do Banco de Maurício e fazia parte do grupo consultivo externo da própria diretora-geral do FMI.
A economista também presidiu a European Economic Association e integra instituições como a British Academy e a Econometric Society. Ao longo da carreira, recebeu prêmios como o Yrjö Jahnsson, concedido a economistas europeus com menos de 45 anos.
Tenreyro tem cidadania argentina, britânica e italiana. Ela substituirá Gourinchas em um momento de tensões comerciais, incerteza sobre os rumos dos juros e mudanças na economia global. A partir de agosto, caberá à primeira latino-americana no cargo comandar as análises que ajudam a moldar a visão do FMI sobre esse cenário.







