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Queda do compulsório pode ter ligação com Cruzeiro do Sul

Analistas acreditam que o Banco Central está preocupado com um possível estrangulamento da liquidez para os bancos pequenos e médios

Por Da Redação - 14 set 2012, 22h11

A decisão de reduzir a alíquota do compulsório sobre depósitos à visto e a prazo, anunciada nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC), suscitou interpretações distintas. A principal delas está relacionada à liquidação extrajudicial dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, comunicada pelo BC na mesma data. “Me pareceu algo na esteira do Cruzeiro do Sul e do Prosper, para tentar dar liquidez para os bancos menores. O Banco Central deve estar preocupado porque poderia haver um estrangulamento da liquidez para os bancos pequenos e médios”, afirmou um analista.

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Outra fonte lembrou que, em princípio, a liquidação destes dois bancos não teve relação com liquidez, mas sim com fraudes. “No entanto, a medida poderia gerar temor de outros bancos de emprestar para instituições menores ou que tivessem relação com estas duas”, explicou. “Lá atrás, no auge da crise financeira, o BC já deu estímulos para bancos médios. No entanto, a ação naquela época foi mais direta. Ele poderia ter feito o mesmo, mas optou simplesmente por elevar a liquidez do sistema como um todo”, continuou.

Compulsório – Segundo o Banco Central, a alíquota adicional incidente sobre os depósitos à vista foi reduzida de 6% para zero, e passa a vigorar a partir desta sexta-feira. Em relação ao depósito a prazo, a alíquota adicional foi reduzida de 12% para 11%, e surtirá efeito a partir de 29 de outubro. Além disso, a circular permite que até metade do recolhimento compulsório sobre depósito a prazo seja cumprida mediante aquisição de Letras Financeiras e carteiras de crédito. Essa regra passa a vigorar a partir desta sexta.

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Ao tratar de “alíquota adicional”, a autoridade monetária está se referindo à parcela dos compulsórios que era remunerada pela taxa básica de juros, a Selic. “Agora, os bancos têm que achar uma remuneração para isso. Há várias formas de aplicar estes recursos e uma delas, sem dúvida, é elevar as concessões de crédito”, afirmou um economista de um banco estrangeiro.

Esse conjunto de medidas anunciadas pelo BC deve liberar, nos próximos meses, em torno de 30 bilhões de reais do estoque atual de 380 bilhões de reais de depósitos compulsórios, segundo a própria instituição. “O que contribuirá para alongar o perfil de captação do sistema e melhorar a distribuição da liquidez no mercado interbancário”, frisou a autoridade monetária.

Redução dos spreads – Segundo uma outra fonte do mercado, o BC tem estudado muito essa questão do uso dos compulsórios na política monetária. “A China usa muito isso e nós somos um outro caso que também que faz isso”, lembrou. “Mas os bancos falam que nós temos spreads elevados, pois temos os maiores compulsórios do mundo. Parece um momento propício para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegar aos bancos e falar: ‘nós demos redução nos compulsórios, agora quero ver os spreads caírem'”, continuou.

Para alguns analistas, a redução do compulsório, que é uma demanda antiga das instituições financeiras, pode ser uma espécie de contrapartida para que os bancos reduzam ainda mais o spread de suas operações. “Os banqueiros e o governo podem ter chegado a um acordo”, disse um analista que preferiu não se identificar.

Vale destacar que, em praticamente todos os seus pronunciamentos recentes, o ministro Guido Mantega tem aproveitado para cobrar dos bancos uma redução mais enérgica dos spreads, acompanhando o ciclo de queda da taxa básica de juros.

No comunicado que informa sobre a medida, o BC diz que “essa decisão simplifica a estrutura de recolhimentos compulsórios, com a eliminação do adicional sobre depósitos à vista, reduz os custos da intermediação financeira e fornece melhores condições para o setor operar de maneira mais eficiente, em linha com as mudanças estruturais por que passa a economia brasileira”.

(com Agência Estado)

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